O feriado da Independência do Brasil é só lá no dia 7 de setembro. Só que, na Bahia, a Independência é comemorada daqui a poucos dias, no dia 2 de julho? A data, inclusive, é feriado por lá. Mas por quê, hein?

É que depois que dom Pedro 1º declarou que o Brasil seria independente em relação a Portugal, em 7 de setembro de 1822, os portugueses não foram embora imediatamente. Em várias regiões, soldados de Portugal ainda ocupavam várias cidades, e aconteciam muitos conflitos para decidir quem, de fato, mandaria no país —é o que chamam de Guerras da Independência.

A principal dessas cidades era Salvador, uma das mais estratégicas do Brasil. O porto da capital baiana era um dos mais movimentados das Américas, sendo ponto de entrada e saída de mercadorias, tropas e também de pessoas africanas escravizadas (a escravidão só acabou bem depois, em 1888). Além disso, o Recôncavo Baiano produzia muito açúcar, um dos produtos mais valiosos daquela época.

Portugal não queria perder o controle sobre nada disso, o que fez com que os conflitos na Bahia fossem mais longos e intensos. Mas o curioso é que essas batalhas envolveram uma mistura de soldados, trabalhadores, pescadores, indígenas, mulheres, homens livres e também pessoas escravizadas. Para o historiador baiano Ricardo Carvalho, essa diversidade ajuda a entender por que o 2 de julho é lembrado como uma data de participação popular.