Dentro de um vagão de trem exposto no Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington, uma placa relembra um período em que a segregação racial era política de Estado nos Estados Unidos: "Somente para brancos".

Ali, uma gravação reproduz a pergunta de uma criança ao pai: "por que os negros sentam em outra parte do trem?".

A cena remete a um país que, até os anos 1960, mantinha leis que separavam brancos e negros em escolas, ônibus, restaurantes e espaços públicos —as chamadas Jim Crow, que institucionalizaram essa separação por décadas após a Guerra Civil, especialmente no sul do país.

Mais de meio século depois do fim da segregação legal, o tema ainda alimenta disputas políticas. O governo de Donald Trump eliminou programas federais de diversidade, pressionou instituições culturais a adotarem uma visão mais patriótica da história americana e passou a questionar políticas criadas para combater a discriminação racial.

Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento contra a segregação ficou fortalecido. Segundo David Garrow, historiador e biógrafo de Martin Luther King Jr., a luta pelos direitos civis foi fruto de um processo gradual: veteranos negros que lutaram na guerra retornaram aos EUA depois de terem vivido em países onde a segregação não era praticada da mesma forma.