Falta de fiscalização da legislação e manutenção adequada são fatores que podem ter contribuído para estruturas frágeis ao fenômeno sísmico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher gesticula de cima de prédio danificado em Catia La Mar, no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Federico Parra/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 14:17 Corrupção e crise econômica agravam impacto de terremotos na Venezuela Especialistas apontam que corrupção e crise econômica na Venezuela podem ter agravado o impacto dos recentes terremotos, que deixaram 589 mortos e 4,3 mil feridos. A falta de fiscalização e manutenção adequada fragilizou estruturas, resultando em desmoronamentos críticos. Edifícios construídos antes das normas vigentes e sem manutenção adequada foram especialmente afetados, destacando a influência negativa da política e economia local na tragédia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com as operações de resgate entrando em um período crítico para encontrar sobreviventes quase 48 horas após os terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, a extensão da destruição provocada pelos maiores tremores em um século no país sul-americano começa a ficar mais evidente nesta sexta-feira, quando as autoridades anunciaram que o número de mortes confirmadas chegou a 589 e o de feridos a cerca de 4,3 mil, enquanto uma estimativa oficial aponta que 250 prédios ficaram destruídos ou danificados em todo o país — um fator que levantou questionamentos sobre o quanto a crise econômica e os índices de corrupção na política de Caracas ao longo de décadas intensificaram o efeito do fenômeno natural. Grupos da sociedade civil venezuelana afirmaram que conjuntos habitacionais construídos ainda no governo Hugo Chávez estão entre as áreas mais afetadas pelos desmoronamentos, incluindo um na cidade de Catia La Mar, na região de La Guaira, onde ao menos 100 prédios caíram, de acordo com o autoridades da cúpula do governo. Especialistas em construção civil e prevenção a abalos sísmicos apontam que parte das construções parece ter sido construída antes da entrada em vigor da atual legislação ou não ter passado pela fiscalização adequada — embora não descartem construções irregulares. — Os terremotos não matam pessoas. O que mata é o colapso da infraestrutura — disse o professor Ilan Kelman, especializado em desastres e saúde da University College London, em entrevista ao New York Times. Já à rede britânica BBC, o mesmo especialista afirmou que Caracas possui um código de obras que inclui "disposições sísmicas modernas", mas classificou a fiscalização como uma "questão de sorte", e que as situações sociais e políticas podem ter dificultado o monitoramento e a aplicação da lei no país. Também citando as recorrentes crises financeiras e os índices de corrupção no país, o professor associado especializado em riscos naturais na Universidade de Coventry, Matthew Blackett, disse em entrevista à rede CNN que muitos edifícios anteriores às normas vigentes provavelmente nunca receberam a manutenção adequada, o que pode ter contribuído para a tragédia em larga escala. Em uma declaração pública, o filho do ex-presidente Nicolás Maduro afirmou que parte dos prédios que ruíram teriam sido construídos entre as décadas de 1950 e 1980. Forte terremoto atinge a Venezuela 1 de 20 Fotografias aéreas mostra comparação do antes e depois do terremoto em La Guaira — Foto: Vantor / AFP 2 de 20 Equipes de resgate seguem em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes soterrados em Caracas — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 20 fotos 3 de 20 Um homem inspeciona um prédio de apartamentos que desabou após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira, a cerca de 30 km a noroeste de Caracas, em 25 de junho de 2026 — Foto: FEDERICO PARRA / AFP 4 de 20 Registro mostra o interior de uma casa após terremoto na cidade de Catia La Mar — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 5 de 20 Pessoas dormem na rua após o terremoto em Caracas — Foto: Manaure QUINTERO / AFP 6 de 20 Equipes de socorro, incluindo integrantes da Cruz Vermelha Venezuelana, procuram pessoas que possam estar presas sob os escombros — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 7 de 20 Busca por pessoas que possam estar soterradas em Caracas — Foto: Federico PARRA / AFP 8 de 20 Nos próximos dias, o esforço humanitário deverá se concentrar no resgate de sobreviventes — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 9 de 20 As pessoas retiradas dos escombros estão recebendo atendimento médico em clínicas locais — Foto: Federico PARRA / AFP 10 de 20 Grupos de resgate fazem buscas com pessoas nos escombros em Catia La Mar — Foto: Juan BARRETO / AFP X de 20 Publicidade 11 de 20 Prédios destruídos, feridos e pânico: imagens mostram destruição causada por terremoto na Venezuela — Foto: Juan Barreto/AFP 12 de 20 O governo venezuelano declarou estado de emergência após dois fortes terremotos atingirem o país quase consecutivamente — Foto: Juan Barreto/AFP X de 20 Publicidade 13 de 20 Os tremores foram sentidos até na Colômbia e no Brasil — Foto: Federico Parra/AFP 14 de 20 As cenas em Caracas eram de destruição e pânico — Foto: Federico Parra/AFP X de 20 Publicidade 15 de 20 Pessoas do lado de fora gritavam os nomes de seus parentes, e alguns voluntários escalavam os escombros — Foto: Federico Parra/AFP 16 de 20 Diversas áreas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cobertas de cacos de vidro — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 20 Publicidade 17 de 20 Pessoas que evacuaram prédios em Caracas esperaram mais de uma hora antes de retornar — Foto: Manaure Quintero/AFP 18 de 20 Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 20 Publicidade 19 de 20 Terremotos causaram destruição na Venezuela — Foto: AFP 20 de 20 Terremotos na Venezuela: país registra 10 réplicas após abalos que deixaram ao menos 32 mortos — Foto: AFP X de 20 Publicidade Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas — Se você olhar para um lugar como São Francisco, após os terremotos do fim da década de 1980, houve incentivos e financiamento do governo para reforçar os edifícios e garantir que fossem seguros. As construções foram inspecionadas e condenadas caso não atendessem a esses padrões — disse o professor. — Isso não aconteceu lá [na Venezuela]. Se confirmada a relação direta com a queda dos prédios, não seria a primeira vez que a crise sócio-econômico-política do país prejudica assuntos estratégicos em Caracas. Especialistas apontaram, pouco após a captura de Nicolás Maduro por militares americanos, que a Defesa Nacional do país havia sido sucateada por décadas, por uma combinação de falta de financiamento e promoções de oficiais por relações políticas. As relações politicamente motivadas levaram o país a ocupar uma das posições mais baixas em rankings internacionais sobre percepção de corrupção no mundo. Mesmo na operação de resgate em curso, há digitais da defasagem venezuelana. Fontes em Caracas e La Guaira afirmam que os esforços estão sendo severamente prejudicados pela falta de maquinário pesado, como tratores e escavadeiras estatais, que estariam em estado de abandono, sem peças de reposição ou manutenção. Observadores especulam que a falta desses equipamentos pode prejudicar até mesmo as equipes técnicas internacionais enviadas ao país para auxiliar as missões de resgate. Mulher dá à luz no meio dos escombros na Venezuela Cenário grave Embora especialistas em desastres com soterramento afirmem que não existe uma medida de tempo exata de sobrevida para uma vítima sob de escombros — em 2023, dois irmãos sobreviveram cerca de oito dias antes de serem resgatados na Turquia —, muitos defendem que haveria uma "janela de ouro" de sobrevivência de 72 horas, quando é mais provável resgatar vítimas com vida. — As chances de encontrar sobreviventes em um prédio que desabou após cinco a sete dias são pequenas, mas não inexistentes — disse o professor associado da Harvard Medical School, Jarone Lee, em entrevista ao New York Times, em que classificou as primeiras 24 a 48 horas como cruciais. Busca por sobreviventes sob destroços continua em Caracas Ainda de acordo com o professor, que estuda e participa de operações de resposta a desastres há mais de uma década, certas circunstâncias pontuais podem ampliar as chances de sobrevivência. Edifícios desmoronados, em alguns casos, criam espécies de "bolsões vazios", onde sobreviventes ficam presos, mas não esmagados. Dependendo da disponibilidade de ar, água e alimentos, uma pessoa pode sobreviver por dias ou até semanas. Análises sobre o perfil dos desabamentos na Venezuela, porém, indicam um cenário preocupante. Um levantamento realizado pela rede americana CNN, com base em vídeos que mostram a destruição no país, sugerem que muitos dos edifícios destruídos seguiram um padrão chamado "colapso panqueca", em que as estruturas cedem de uma forma e em um nível que o espaço entre os andares fica reduzido a um mínimo — a análise cita que em um dos casos, um prédio em La Guaira cujos andares tinham por volta de três metros cada, ficaram comprimidos a até 30 centímetros. — Essas edificações colapsam exatamente da maneira que estamos vendo: desabamentos em estilo 'panqueca', com um andar caindo sobre o outro — disse Christian Málaga-Chuquitaype, engenheiro estrutural do Imperial College de Londres, ao visualizar imagens do desabamento em entrevista ao New York Times. (Com NYT e AFP) Cachorro é resgatado de escombros dos terremotos na Venezuela
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