Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT-BA) afirmou à Folha que reclamou com o presidente Lula (PT) da atuação da Polícia Federal na operação da qual foi alvo, particularmente pela divulgação de foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive em Brasília.
"Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta", afirma. Para ele, isso violou a orientação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) —que determinou que a busca e apreensão ocorresse "de forma discreta" pelo "caráter sigiloso da investigação".
Na entrevista, concedida em seu escritório político na Bahia na quinta-feira (25), Wagner afirmou desconhecer governador ou prefeito que não se relacione com empresários. E disse que é ridículo supor que o recebimento de dois convites para um show configure favorecimento. "Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?"
Ele revelou que os valores pagos pelo Banco Master para a empresa de sua nora são maiores do que os R$ 3,5 milhões divulgados e defendeu que o dinheiro tem origem legal. Também admitiu pegar carona com empresários, mas negou que tenham colocado um avião à sua disposição.












