O senador Jaques Wagner (PT-BA) comunicou ao presidente Lula (PT) que deixará a liderança do governo federal no Senado. Os dois se reuniram nesta quarta-feira 24, no Palácio do Alvorada, em Brasília, quase uma semana após o parlamentar ser alvo de operação da Polícia Federal por suposta atuação em favor do Banco Master no Congresso.

O encontro, descrito por Wagner como uma “conversa de amigos”, que durou cerca de duas horas. “Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, escreveu o senador nas redes sociais.

Nos últimos dias, ele vinha sendo aconselhado por aliados a deixar a liderança sob o temor de arrastar o escândalo do Master para a campanha de Lula à reeleição.

Embora sinalize confiar na inocência de Wagner, o entorno do presidente avaliava que mantê-lo no posto poderia trazer prejuízo à imagem de Lula às vésperas da eleição, além de inviabilizar a estratégia de colocar os escândalos do banco de Daniel Vorcaro no colo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

Endereços ligados ao senador em Salvador (BA) e Brasília foram alvos de mandados de busca e apreensão na última quinta-feira 18, por ordem do ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o Master no Supremo Tribunal Federal. O documento registra que a PF apura uma suposta relação ilícita entre Wagner, Vorcaro e Augusto Lima.