Em sua página, a empresa diz ter mais de 70 fundos sob custódia e US$ 22 bilhões de ativos sob gestão A Sefer Investimentos, distribuidora que teve a liquidação extrajudicial determinada nesta sexta-feira pelo Banco Central, já mudou de nome várias vezes e foi alvo de ao menos duas operações da Polícia Federal nos últimos anos. Em sua página, a empresa diz ter mais de 70 fundos sob custódia e US$ 22 bilhões de ativos sob gestão. A Sefer foi alvo da segunda fase da operação Compliance Zero e administra fundos ligados aos possíveis esquemas de fraude no Master. Segundo o Ministério Público, ela é controlada por Benjamin Botelho de Almeida. A administradora também foi alvo da segunda fase da operação Fundos Fake, deflagrada em 2020. A investigação também teve como alvos o Banco Máxima, antiga denominação do Master, e o próprio Daniel Vorcaro, que depois foi excluído do processo. Com sede na Faria Lima, a Sefer foi criada em 1994 e, até dezembro de 2023, se chamava Foco, segundo documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). Embora esses registros não indiquem, outros documentos disponíveis na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também associam a empresa ao nome Índigo Investimentos, com o mesmo CNPJ. A companhia teve Botelho como sócio entre 2005 e 2016. Atualmente constam como sócios Antônio Carlos Amâncio, Beniamino Gaioffato, Diego Gomes Ferreira, Ricardo Veles e Índigo Participações. Fundos da Sefer também foram alvos da CPI do crime organizado. Na ocasião, a gestora afirmou que “não captou, movimentou, administrou ou se beneficiou, direta ou indiretamente, de quaisquer recursos de origem ilícita” e que “os fundos e estruturas mencionados fazem parte de operações comuns do mercado financeiro”. Benjamim Botelho de Almeida é ex-funcionário do Banco Garantia e apontado pela Polícia Federal como sócio oculto de Vorcaro e figura central do esquema do Master. Em março, quando ressurgiram acusações de irregularidade na aquisição do Máxima, em 2017, a defesa de Almeida disse ao Valor que ele foi absolvido e que ele é “cidadão português, que esteve no Brasil apenas em duas ocasiões nos últimos cinco anos, a última em agosto de 2023, não procedendo a caracterização atribuída a ele”. A Sefer também apareceu na lista de credores do grupo Fictor, como a segunda maior credora. Entretanto, quando procurada, disse que não é credora e atua "exclusivamente como gestora/administradora de clientes terceiros e que não realiza a concessão de crédito com recursos próprios”. Procurada pelo Valor sobre a liquidação decretada pelo BC, a Sefer ainda não se manifestou. Sede do Banco Master, em São Paulo — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg