Contribuiu para a queda o IPCA-15 de junho, que veio abaixo das projeções dos analistas — Foto: iStock/Getty Images Após a surpresa de um comunicado pouco claro acerca do corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom, os juros futuros começaram a ceder. Contribuiu para a queda o IPCA-15 de junho, que veio abaixo das projeções dos analistas, com reduções expressivas na variação dos preços da alimentação no domicílio e fora dele em relação aos meses anteriores. No relatório de Política Monetária divulgado pelo Banco Central, as projeções para o primeiro trimestre de 2028 indicam o IPCA em 3,2%, praticamente no centro da meta. As apostas do mercado em novo corte na reunião do Copom em agosto tornaram-se majoritárias. O Banco Central apresentou dados que mostraram uma piora da inflação pelo menos até meados do ano que vem. O hiato do produto, a distância entre o que a economia está crescendo e seu potencial, continua positivo em 0,4% no segundo trimestre do ano, mas se estreitará gradativamente até se tornar negativo em 0,5% no quarto trimestre de 2027. A aceleração da economia levou o BC a elevar a previsão de crescimento da economia de 1,6% para 2% em 2026, não muito abaixo da taxa observada em 2025, de 2,3%. Os estímulos fiscais jogaram um papel para ampliar a demanda, como mostra, por exemplo, a projeção de expansão do crédito, de 9% em 2026, praticamente inalterada, porém com outra composição: os empréstimos com recursos livres desaceleram, enquanto os direcionados, com taxas que não são de mercado, avançam. A mudança de rumo da economia do primeiro trimestre alterou as projeções para o aumento do consumo das famílias, reestimado de 1,4% para 2,1%, e dos investimentos, de 0,5% para 1,5%. O mercado de trabalho aquecido joga grande peso no consumo e especialmente na inflação de serviços. O crescimento do rendimento médio real habitual no trimestre finalizado em abril teve alta anual de 5,4%. O rendimento médio está 13,1% acima da média de 2019, antes da pandemia, e 5,7% maior do que se prevalecesse a tendência de evolução dos salários observada entre 2017 e 2019. A Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, que inclui outras fontes de renda além do trabalho, cresceu 2,2% em termos reais no período, ante 1,6% no trimestre findo em fevereiro. Além do aumento real do salário mínimo e das aposentadorias, a alta da renda refletiu a antecipação da primeira parcela do 13 salário de aposentados e a isenção ou redução do IRPF para as faixas de até R$ 7,5 mil. O BC observa que tanto a renda disponível como a massa de rendimentos, na comparação interanual, registram crescimento bastante acima da inflação. Com o avanço da economia acima do potencial e dos rendimentos médios, a inflação aumentou. Em 12 meses, a diferença entre o que o Banco Central previa e o IPCA realizado foi de um ponto percentual. Para isso contribuiu muito o aumento dos preços de combustíveis decorrente da guerra no Oriente Médio, mas com prevalência de componentes domésticos. No trimestre encerrado em maio, o IPCA teve variação anualizada de 7,9%, e a média dos núcleos teve alta de 5,5%, muito acima do teto da meta de inflação (4,5%). Em 12 meses, a média dos núcleos de inflação foi de 4,52%. Há alta expressiva de preços em muitos itens. A elevação anualizada das séries trimestrais com ajuste sazonal de alimentos foi de 15,3%. A dos bens industriais, que vinha até há pouco apresentando variação comportada, subiu de 3,21% para 3,95%. A variação de preços de serviços continua muito alta. Sem passagens aéreas, a alta dessazonalizada e anualizada de serviços foi de 4,65% para 5,56% entre os trimestres encerrados em fevereiro e maio. Em 12 meses, os preços de serviços acumularam alta de 5,97% até maio, quase o mesmo valor do acumulado até fevereiro (6,01%). Ao utilizar trajetórias semelhantes às mencionadas no boletim Focus, mas incorporando dados com a virada negativa do hiato do produto, que mostrará a economia crescendo abaixo de seu potencial, e juros mais altos que no relatório apresentado em março, a conclusão do BC foi que a projeção de inflação para o primeiro trimestre de 2028, que será o horizonte relevante da política monetária, não se alterou: permanece em 3,2%. O BC considerou cenários com um El Niño potente em 2026, mas cujos efeitos terão se dissipado totalmente até o início de 2028. Diante da forte incerteza que ronda os cenários, que afetam suas próprias projeções e as de mercado, o BC considerou, como anotado na ata, a possibilidade de pausas para calibragem dos juros em função do novos dados econômicos. Mas pode estar contando não só com uma queda dos juros de ritmo mais lento que antes previsto como com uma taxa terminal do ciclo de afrouxamento mais alta. O relatório menciona que o pico da taxa Selic real (descontada a inflação), de 9,6%, foi atingido no terceiro trimestre de 2025, e que ela deve chegar a 6,4% no final do horizonte. Como a taxa de juros neutra (nem contracionista nem expansionista) calculada pelo BC é de 5%, os juros nominais poderão estacionar entre 11,25% e 11,5% em 2028, patamar maior que os 10,25% previstos pelo Focus para aquele ano.
Juros futuros recuam com a perspectiva de novo corte na Selic
Contribuiu para a queda o IPCA-15 de junho, que veio abaixo das projeções dos analistas










