"Nunca viaje sem seu diário. Devemos sempre ter algo sensacional para ler no trem", diz uma frase frequentemente atribuída a Oscar Wilde, escritor que transformou a própria imagem em parte de sua obra e ajudou a definir o dandismo literário do fim do século 19. Se estivesse vivo hoje, talvez acrescentasse uma observação: certifique-se de que alguém veja a capa.
Se com o "book stylist" —o misterioso curador que põe livros nas mãos de celebridades e modelos quando esses são fotografados—, livros passaram a ser utilizados como sinalizadores de repertório poético, agora a moda e o estilo mais uma vez se interseccionam com eles. O estilista de livros, aparentemente, antecipou algo mais amplo.
Isso tem se manifestado com força nas passarelas. Em janeiro, na Semana de Moda de Paris, Yohji Yamamoto exibiu casacos negros amplos e camadas desalinhadas que remetiam a uma figura intelectual quase monástica. Na mesma temporada, a Lemaire mostrou sobretudos fluidos, cachecóis longos e bolsas de couro carregadas junto ao corpo, evocando a imagem do escritor em deslocamento.
Esta é a "poet core", ou "book core", conforme apelidaram a crítica especializada e as mídias sociais, para descrever uma estética inspirada no escritor e no leitor que temos em nosso imaginário. Tricôs amplos, alfaiataria relaxada, tecidos como lã, tweed, veludo e algodão encorpado e uma aparência que sugere introspecção têm servido de resposta ao nosso cotidiano apressado e encharcado por imagens.









