Michelle Bolsonaro publicou um vídeo explicando por que não apoiará Flávio. O que me interessa não é o que ela diz, mas o que ela faz a partir desse ato e as perguntas que isso levanta.

Michelle tomou essa atitude sem consultar ou pedir autorização ao marido? Porque ela não diz falar em nome de Jair e não faz sentido que ele ataque o filho. Seu primogênito é pré-candidato à Presidência da República escolhido por ele próprio. Não me lembro de outro gesto da ex-primeira-dama demonstrando essa autonomia contra o interesse familiar.

Qual é o objetivo, além de prejudicar as chances de Flávio na corrida presidencial, ao apresentá-lo e aos irmãos como pessoas que atacam uma mulher —a esposa do pai— tratando-a como ingênua nas palavras dela, para apoiar um inimigo político em nome do pragmatismo?

Ela tem motivos para agir. Ao tomar a frente como candidato do bolsonarismo, Flávio tirou de cena o projeto de chapa entre Tarcísio e a própria Michelle. A dobradinha era tida como a mais viável para vencer Lula —juntava a experiência de Tarcísio como governador aprovado de São Paulo com a força da ex-primeira-dama levando mulheres, inclusive evangélicas pobres, atraídas a Lula.

O Ministério Madureira da Assembleia de Deus já declarou apoio aberto a Caiado, e outros pastores não escondem o desejo de seguir o mesmo rumo —apenas temem o desgaste dessa escolha dentro de suas denominações.