Por vezes uma trama folhetinesca pode resultar em um filme bem diferente do que imaginávamos, pelo disfarce ou atenuação dos elementos que compõem a narrativa e o transformariam num folhetim de fato. É o caso de "O Sol Nasce Para Todos", mais recente longa do diretor chinês Cai Shangjun.

Um homem sai da prisão depois de alguns anos, condenado por um crime que não cometeu. Quando sua ex-namorada o reencontra, ficamos sabendo que era ela a condutora do veículo. Estavam os dois numa estrada escura, durante uma viagem de férias. Acidentalmente, eles atropelaram um homem e o mataram.

Ele, Wu Baoshu, papel de Zhang Songwen, assume a culpa na justiça, sofrendo na pele as consequências do ato. Ela, Zeng Meiyun, vivida por Xin Zhilei, atriz premiada no Festival de Veneza de 2025, convive com a culpa real do atropelamento, que é tão forte e transformadora quanto a reclusão de Baoshu.

O acidente pesa como um fantasma nesse relacionamento que não tem mais como voltar ao que era, mesmo que eles se esforcem para que isso aconteça – em princípio, não se esforçam muito. Há sempre o peso do passado, essa mancha que não quer se apagar. Por estar em dívida, Meiyun hospeda Baoshu em sua casa, até que ele se recupere, física e mentalmente.