Em rede social, Lula diz que missão da senadora será articular aprovação da PEC 6x1 Senadora Teresa Leitão (PT-PE) discursa durante sessão no plenário — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado Após o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na quinta-feira (25), a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como a nova líder do governo no Senado. Ela terá a missão de articular o debate e a aprovação de projetos importantes em um ambiente que hoje é hostil às demandas do Palácio do Planalto. “Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC [proposta de emenda à Constituição] da Segurança, entre outros”, escreveu Lula em publicação na rede social X. O anúncio aconteceu menos de 24 horas depois de Lula reunir-se com Wagner. O encontro selou o destino do senador baiano, amigo de longa data do presidente, mas que teve que deixar o cargo após ser alvo da Polícia Federal (PF) em mais um desdobramento do escândalo do Banco Master. O temor entre os petistas é que o envolvimento no caso respingasse ainda mais na campanha à reeleição de Lula. Senadora de primeiro mandato, Teresa Leitão não era a escolha mais natural para o cargo, mas o PT ficou sem muitas opções entre parlamentares com maior rodagem. O ex-ministro da Educação Camilo Santana (CE) foi um dos sondados, mas deixou claro que o seu objetivo este ano é fazer campanha para reeleger o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que encara uma disputa apertada no Estado, liderada pelo adversário Ciro Gomes (PSDB). Ela, no entanto, recebeu o apoio público de nomes do PT, como o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. “Sua capacidade de diálogo, sua firmeza de princípios e sua experiência política serão fundamentais para fortalecer a articulação do governo do presidente Lula no Senado, em um momento decisivo para o avanço das políticas públicas que transformam a vida da população”, escreveu no X. Professora e sindicalista, Teresa Leitão passou a maior parte dos seus 74 anos dedicada à luta por melhores condições de trabalho para os professores. Em Brasília, a primeira missão dada por Lula a ela foi a de fazer uma marcação cerrada, no plenário e nas comissões, aos movimentos dos senadores da oposição Sergio Moro (PL-PR) e Damares Alves (Republicanos-DF). Teresa presidiu a Comissão de Educação e ocupa cadeira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas teve atuação discreta no plenário. Agora, ela chega à liderança em meio a uma crise sem data para acabar entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerado o principal algoz do advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve a indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada pelo plenário da Casa Legislativa. Além dos projetos citados por Lula na rede social, a nova líder também terá que atuar para conter o avanço das pautas-bomba, que preocupa a equipe econômica. Em tom bem-humorado, um senador governista faz um prognóstico para a atuação de Teresa, que resume bem o momento atual: “Se vai entregar o que o Lula precisa, não sei. Mas ele vai dormir tranquilo de que ela não vai aparecer em nenhuma lista do Vorcaro”. Pedagoga e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Teresa filiou-se ao PT em 2000 e, dois anos depois, se elegeu deputada estadual sem figurar entre os favoritos do partido. Foram cinco mandatos consecutivos, normalmente alinhada à ala mais combativa da legenda. Fez oposição dura ao governo de Jarbas Vasconcelos (1999-2002) e, mesmo quando o PT se aproximou de Eduardo Campos, preservou a fama de aliada que não hesitava em votar contra o governador em temas ligados à educação. Foi nesse período que consolidou localmente uma imagem de parlamentar avessa aos “arrumadinhos” da política. No primeiro mandato, se recusou a receber os chamados “jetons” pagos em convocações extraordinárias da Assembleia Legislativa de Pernambuco, em uma campanha que ajudou a expor o mecanismo. Ao mesmo tempo, mantinha boa interlocução com adversários e negociava projetos de seu interesse nas comissões — combinação que agora será posta à prova na relação com o presidente do Senado e líderes do Centrão e da oposição no Congresso Nacional. Aliados dizem que a petista se converteu, nos últimos anos, a uma política mais pragmática. A aproximação com o PSB se intensificou na montagem da chapa Lula e do vice Geraldo Alckmin, em 2022. Embora o irmão, o jornalista Ricardo Leitão, tenha integrado governos do PSB em Pernambuco, ela vinha mantendo uma relação de apoio crítico ao grupo hegemônico no Estado. Hoje, no entanto, é presença constante na campanha do prefeito João Campos (PSB) ao governo. No PT pernambucano, lidera o grupo Coletivo PT Militante e divide espaço com o colega de Senado Humberto Costa (PT-PE), sem protagonizar uma disputa aberta. A trajetória inclui uma derrota na disputa para a Prefeitura de Olinda, em 2016. Já a campanha vitoriosa ao Senado produziu uma cena que voltou a circular entre aliados com a escolha dela para a liderança: Teresa caiu, quebrou o fêmur, ficou afastada e reapareceu em atos eleitorais de cadeira de rodas. O episódio é usado por petistas para rebater a avaliação, comum entre adversários, de que idade e saúde podem limitar sua capacidade de enfrentar uma função em que o desgaste é inevitável e praticamente diário.
Teresa Leitão é confirmada na liderança do governo no Senado
Em rede social, Lula diz que missão da senadora será articular aprovação da PEC 6x1











