Teresa Leitão (PT-PE) precisará articular o andamento de uma agenda controversa em um ambiente que hoje é hostil ao presidente Lula Senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado Pouco antes de iniciar seu primeiro mandato em Brasília, em 2023, a professora e sindicalista Teresa Leitão (PT-PE) recebeu uma orientação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: vigiar de perto os senadores Damares Alves (Republicanos-DF) e Sérgio Moro (PL-PR) – também neófitos no Congresso. Agora, como nova líder do governo no Senado, ela terá que demonstrar não apenas a fidelidade incondicional a Lula, mas articular o andamento de uma agenda controversa em um ambiente que hoje é hostil ao presidente. O novo cargo caiu no colo da primeira senadora da história de Pernambuco após a queda do antigo líder governista, o senador Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a função depois de ser alvo de uma operação da Polícia Federal. Sem muitas opções entre parlamentares com maior rodagem, a função acabou ficando com a senadora de 74 anos, muitos dos quais dedicados à luta por melhores condições de trabalho para os professores. Pedagoga e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Teresa filiou-se ao PT em 2000 e, dois anos depois, se elegeu deputada estadual sem figurar entre os favoritos do partido. Foram cinco mandatos consecutivos, normalmente alinhada à ala mais combativa da legenda. Fez oposição dura ao governo de Jarbas Vasconcelos (1999-2002) e, mesmo quando o PT se aproximou de Eduardo Campos, preservou a fama de aliada que não hesitava em votar contra o governador em temas ligados à educação. Foi nesse período que consolidou localmente uma imagem de parlamentar avessa aos “arrumadinhos” da política. No primeiro mandato, se recusou a receber os chamados jetons pagos em convocações extraordinárias da Assembleia, numa campanha que ajudou a expor o mecanismo. Ao mesmo tempo, mantinha boa interlocução com adversários e negociava projetos de seu interesse nas comissões — combinação que agora será posta à prova na relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e líderes do Centrão e da oposição. Aliados dizem que a petista se converteu, nos últimos anos, a uma política mais pragmática. A aproximação com o PSB se intensificou na montagem da chapa Lula-Alckmin, em 2022. Embora o irmão, o jornalista Ricardo Leitão, tenha integrado governos do PSB em Pernambuco, ela vinha mantendo uma relação de apoio crítico ao grupo hegemônico no Estado. Hoje é presença constante na campanha do prefeito João Campos (PSB) ao governo. No PT pernambucano, lidera o grupo Coletivo PT Militante e divide espaço com o colega de Senado Humberto Costa (PT-PE), sem protagonizar uma disputa aberta. A trajetória inclui uma derrota na disputa para a Prefeitura de Olinda, em 2016. Já a campanha ao Senado produziu uma cena que voltou a circular entre aliados com a escolha para a liderança: Teresa caiu, quebrou o fêmur, ficou afastada e reapareceu em atos eleitorais de cadeira de rodas. O episódio é usado por petistas para rebater a avaliação, comum entre adversários, de que idade e saúde podem limitar sua capacidade de enfrentar uma função de desgaste diário. Em Brasília, a primeira missão dada por Lula era mais direta: responder, no plenário e nas comissões, aos movimentos de Moro e Damares contra o governo. A nova tarefa é menos visível e mais difícil. Teresa presidiu a Comissão de Educação e ocupa cadeira na CCJ, mas teve atuação discreta no plenário. Agora, chega à liderança em meio a uma crise entre Lula e Alcolumbre e terá de tratar com o comando do Senado justamente quando a relação do Planalto com a Casa passa por um de seus momentos de maior desconfiança. Na mesa, estarão temas de alto risco para o governo, como a PEC da Segurança Pública, a proposta sobre o fim da escala 6x1 e a tentativa de conter pautas-bomba. Em tom bem-humorado, um senador governista faz um prognóstico para a atuação da nova líder: “Se vai entregar o que o Lula precisa, não sei. Mas ele vai dormir tranquilo de que ela não vai aparecer em nenhuma lista do Vorcaro”.