Empresas afirmam ter paralisado novas emissões, mas que são permitidas negociações entre clientes; aplicação chega a oferecer remuneração de 140% do CDI 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 CDBs do Banco Digimais sendo ofertados na plataforma do BTG Pactual — Foto: Paulo Renato Nepomuceno / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 22:50 CDBs do Banco Digimais sob investigação ainda são negociados em plataformas financeiras Os CDBs do Banco Digimais, investigado pela PF por crimes financeiros, ainda estavam disponíveis em plataformas como XP, BTG, Itaú e Inter, apresentando remuneração de até 140% do CDI. No entanto, as emissões primárias foram interrompidas por essas instituições. O mercado secundário ainda permite negociações entre clientes. O Digimais declarou que não comentará as interrupções nas ofertas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quem acessava grandes plataformas de investimento na quarta-feira para adquirir ativos de renda fixa ainda conseguia investir nos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Digimais, alvo de uma operação da Polícia Federal na terça-feira. A instituição, chefiada por Edir Macedo, é acusada de crimes contra o sistema financeiro nacional. Em seis plataformas consultadas pelo GLOBO, era possível adquirir os CDBs do Digimais por meio da XP, do BTG Pactual, do Itaú e do banco Inter. Já no Nubank e na Genial Investimentos, a reportagem não localizou os títulos para investir. No BTG Pactual, havia ofertas de CDBs com taxas a 135% do CDI. O CDI, quando cobrado em 100%, garante remuneração semelhante à taxa básica de juros (Selic), hoje em 14,25%. No banco, também era possível adquirir investimentos prefixados com taxa de 17,8% ao ano. Os vencimentos variavam entre março de 2027 e maio de 2028. No título mais acessível, o valor mínimo de aporte era de R$ 1.002,95. Os investimentos eram classificados como de “risco moderado” no BTG. Na XP também era possível adquirir os títulos com prazo mínimo para junho de 2027. As ofertas eram semelhantes, com taxas de 135% do CDI e aportes entre R$ 1,1 mil e R$ 1,8 mil. Selos indicavam a “cobertura do FGC” (Fundo Garantidor de Créditos), mas também eram sinalizados como “risco alto”. No banco Inter, estava disponível um único título, com investimento mínimo de R$ 185 mil e rendimento de 140% do CDI. O vencimento era para julho de 2030. Havia a sinalização de que o papel tinha cobertura do FGC. No Itaú, também era possível adquirir um título do banco de Edir Macedo. Com um selo de "risco alto", o investimento também tinha aporte inicial de R$ 1,2 mil e remuneração em torno de 114% do CDI, para prazos em 2029. Os CDBs são investimentos vendidos a investidores pelos bancos para se financiarem. Eles remuneram a taxas que garantem um rendimento atrelado ao CDI, semelhante à Taxa Selic. Esses títulos possuem garantia de até R$ 250 mil em investimentos por CPF em instituição bancária com garantia do FGC, tendo sido largamente utilizados pelo Banco Master para captar recursos com investidores. As taxas do banco de Daniel Vorcaro eram extremamente altas. Bancos já haviam interrompido emissão primária No Nubank e na Genial Investimentos, a reportagem não localizou títulos à venda. O Nubank informou que, diante de revisão da sua política de distribuição dos emissores bancários, interrompeu a negociação nos mercados primário e secundário em julho de 2025. O mercado primário é quando a própria instituição emite a aplicação aos seus clientes, enquanto no secundário os investidores daquela instituição negociam livremente entre si. O BTG Pactual interrompeu apenas na terça-feira, o dia da operação da PF, a oferta de novos CDBs emitidos pelo Digimais em sua plataforma. O Inter confirmou que já realizou vendas dos produtos, mas ressaltou que desde fevereiro não realiza novas vendas dos títulos do Digimais. Os que aparecem na plataforma são aqueles ofertados no mercado secundário, quando clientes que adquiriram os títulos buscam se desfazer deles. Já a XP encerrou a distribuição de CDBs do Digimais em novembro de 2025 e, desde então, “eventuais negociações de títulos da instituição na plataforma referem-se exclusivamente ao mercado secundário, ambiente em que as transações ocorrem por iniciativa dos próprios investidores”, informou em nota. O Inter afirmou que desde fevereiro não realiza novas vendas dos títulos do Digimais e que os observados pela reportagem são ofertados no mercado secundário. O Itaú disse em nota que a distribuição aos clientes do banco ocorreu entre agosto de 2024 e março de 2025, quando o Digimais "atendia aos rígidos critérios técnicos" exigidos pelo banco. A interrupção aconteceu após o Itaú "indentificar possíveis movimentações na estrutura do Digimais que acenderam alertas internos de risco". A negociação continua a ocorrer no mercado secundário. A Genial não respondeu até a publicação desta reportagem. Procurado, o Digimais afirmou que não iria comentar as decisões sobre a interrupção das ofertas. O banco continua com suas operações.