Investidores ligados à família da centenária malharia de Blumenau discutem retomar operação da empresa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Megaloja da Hering: sócios ligados à família fundadora da malharia centenária negociam saídas para a empresa que poderia deixar o Azzas 2154 — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 22:02 Crise societária na Azzas 2154: Família Hering pode reassumir controle A Azzas 2154 enfrenta uma crise societária, com a família Hering considerando retomar a operação centenária de Blumenau. Após altas e quedas nas ações, um grupo de investidores contratou a BR Partners para avaliar alternativas estratégicas para a Hering. A possível separação de marcas como Farm e Hering pode impactar o grupo, que já sofre com sinergias não capturadas e resultados financeiros em queda. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As dissonâncias dentro do quadro societário do Azzas 2154 têm conduzido a companhia em uma montanha-russa na Bolsa. Na quarta-feira, os papéis tiveram queda de 3,93%, a R$ 19,31, depois que um grupo de acionistas ligados à família Hering passou a defender o retorno da malharia para as mãos de seus fundadores. O movimento ocorreu um dia após um salto de 10,5% nos papéis, na sequência ao anúncio de que a companhia estaria avaliando opções para destravar valor da FarmRio, sua joia da coroa, e aceno de menos atritos no topo da companhia. Em um par de dias, porém, a Hering, o ativo que parecia “esquecido num canto”, conta uma pessoa próxima à companhia, mostrou seu peso no conjunto do Azzas. Um grupo de investidores contratou a BR Partners como assessoria financeira para avaliar alternativas estratégicas relacionadas à marca centenária. A notícia impactou negativamente os papeis. E agora as opções para a redivisão do Azzas — consequência do divórcio sendo negociado entre Alexandre Birman, que era o CEO da Arezzo&Co, e Roberto Jatahy, que liderava o Grupo Soma — têm agora mais uma variável a ser considerada. Para alguns, separar a marca de Blumenau poderia garantir uma “saída honrosa” para a Hering, sobretudo se voltar para os braços dos fundadores. Para a maioria, contudo, é reforço à crise societária no grupo. Na visão de Lucas Barbosa, analista de varejo da Ativa Investimentos, há uma soma de fatores que sinalizam que a empresa vai perdendo a sua força. — Acho que (a Hering) vem aproveitando esse movimento com a Farm, e dado que o grupo está com o valuation extremamente depreciado, tanto que a Farm teria um valor de mercado maior que o grupo como um todo — diz Lucas Barbosa, analista de varejo da Ativa Investimentos. — Se tivermos a saída da Hering e da Farm, o grupo perde muito peso. Perderia duas marcas boas, uma em reestruturação, mas muito boa, e uma que é a joia da coroa, isso para além (do efeito) das disputas societárias. Ele destaca que, caso a Hering deixe o Azzas, seria preciso também olhar para sinergias já implementadas com outras marcas. 'Saída elegante' Para uma pessoa próxima ao Azzas, a Hering seria, neste momento, a operação “mais destacável” do grupo de marcas por ser mais apartada do todo. E sem saber exatamente quanto valeria a participação da família no grupo Azzas, “seria uma saída elegante desse imbróglio”, diz essa fonte. As especulações também confirmariam uma visão comum no mercado de que, no Brasil, não faz sentido ter um grande conglomerado no varejo de moda. Mas há mais em discussão. Em 2021, a Arezzo apresentou uma proposta para comprar a Hering e que, na época, foi considerada como hostil pela malharia catarinense. Fábio Hering, então à frente da empresa, foi atrás da BR Partners. E, após um período de disputas, os dois peixinhos foram fisgados pelo Soma, grupo de Jatahy e com o qual o executivo da Hering dizia haver mais alinhamento em cultura operacional. Nas discussões sobre o futuro do Azzas, ao menos duas modelagens vinham sendo cogitadas para fazer a partilha das marcas. Uma em que Birman sairia com o que integrava a Arezzo&Co, incluindo a Reserva, mas também Farm e Hering. Em outra, o grupo seria dividido em três: uma empresa com as marcas do antigo Soma mais a Reserva; a segunda seria a Farm e, por fim, Arezzo&Co com Hering. Ou seja, nas duas hipóteses, a Hering ficaria sob o chapéu de Birman, destaca uma fonte. Em outubro do ano passado, Thiago Hering, filho de Fábio, deixou o comando da marca, que passou a ter, pela primeira vez, gestão de uma pessoa de fora da família fundadora. No mês seguinte, David Python, executivo que já havia trabalhado na Arezzo, assumiu a unidade Basic (a da Hering) — uma dentre as quatro da companhia. Em fevereiro deste ano, Python passou a cuidar ainda da chamada de Shoes & Bags, de calçados, bolsas e acessórios. As duas registram queda em faturamento. Recuo em resultado Em 2025, a receita bruta da divisão da Hering recuou 4,9%. Desconsiderando operações descontinuadas, ficou estável, com leve alta de 0,3%. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento da Basic recuou 18,5%, na comparação com janeiro a março de 2025, a R$ 502,3 milhões. Em 2021, o Soma levou a Hering por mais de R$ 5 bilhões. Mas, na quarta-feira, o Azzas como um todo estava avaliado em R$ 3,99 bilhões, um tombo diante dos R$ 10 bilhões registrados logo após a fusão de Arezzo&Co e Soma, em 2024. Quem acompanha a operação de perto diz que o grupo “avançou muito pouco” em captura de sinergias com a Hering e não conseguiu “agregar valor” surfando o alcance da empresa de Blumenau junto à classe média brasileira. O Soma apostou em mirar mais na classe AB, com collabs, peças de alfaiataria, além de ter criado um novo modelo de megalojas. Mas o projeto não decolou. Com a entrada de Python, o foco está concentrado em reformular o modelo de franquia, com o objetivo de avançar em multicanalidade, ganho de escala e de capacidade de investimento. Procurado, o Azzas 2154 afirmou que a Hering não está à venda e que não comenta especulações de mercado.
Azzas 2154 sem Hering e Farm? Proposta de separação de marcas reforça crise societária do grupo, dizem especialistas
Investidores ligados à família da centenária malharia de Blumenau discutem retomar operação da empresa















