É como um casamento ruim: se arrastar demais, vai estourar. É assim que uma fonte a par dos negócios qualificou a disputa societária entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, os dois principais sócios da Azzas 2154, resultado da união entre Arezzo&Co e Soma e um dos maiores grupos de moda da América Latina.

O desfecho é incerto, mas parece caminhar para uma cisão. Porém, ainda que a separação do negócio fosse factível para já, haveria, no meio desse caminho, ao menos dois obstáculos importantes: o primeiro, relacionado ao timing. Os múltiplos da companhia (indicadores financeiros usados para avaliar se uma empresa está cara ou barata) estão subvalorizados, o que poderia levar a uma precificação subdimensionada dos ativos.

O outro, uma grande dúvida em torno de quem ficaria com cada uma das marcas do grupo de moda, sobretudo duas delas: a grife de moda masculina Reserva e a de moda feminina Farm, incensada por estrelas estrangeiras em busca de "tropicalismo" e de brasilidade, e presente em espaços desejados, como a loja de departamentos Le Bon Marché, uma das mais antigas de Paris.

Há um possível desenho, costurado por bancos, segundo o qual as operações da Arezzo &Co, incluindo Hering e a Farm, ficariam sob o comando de Birman, junto à Reserva, enquanto Jatahy ficaria com as demais operações de moda feminina (Cris Barros, Animale, NV, Maria Filó). Portanto, sem a Farm. Haveria ainda a possibilidade de a Farm ter as suas ações listadas fora. A informação foi publicada primeiro pelo Valor Econômico e confirmada pela Folha.