A concessão pelos bancos de novos empréstimos consignados a beneficiários do INSS encolheu 40% nos últimos dois anos, em meio à deterioração da situação financeira dos idosos e ao endurecimento das regras de contratação, que tornou um quarto dos aposentados inelegíveis a esse tipo de crédito.
Os desembolsos de consignado, que desconta as parcelas diretamente das aposentadorias, somaram R$ 22,6 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, contra R$ 33,7 bilhões no mesmo período de 2025 e R$ 37,7 bilhões em 2024, segundo o BC (Banco Central).
Para especialistas, o movimento é saudável porque indica uma acomodação do mercado após anos de fraudes e assédio dos bancos a aposentados. Já para as instituições financeiras, a queda é resultado de restrições excessivas, que vedam o acesso dos idosos a um dos créditos mais baratos do mercado.
A taxa de juros do consignado do INSS estava em 23,9% ao ano em abril, menos da metade da média de 63% anuais pagos por pessoas físicas em diversas modalidades de crédito, segundo os últimos dados do BC.
O recuo do consignado acontece após anos de forte crescimento do estoque de empréstimos, que mais do que dobrou entre 2020 e 2024. Em abril, último dado disponível, o saldo estava em R$ 281,7 bilhões. Cerca de 38% dos beneficiários do INSS possuem ao menos um consignado contratado, segundo o Ministério da Previdência.












