Presidente americano tenta emplacar legislação que forçaria estados a endurecerem regras de registro de eleitores e votos por correio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante uma reunião bilateral com o presidente do Egito à margem da cúpula do G7, em Evian, leste da França, em 17 de junho de 2026 — Foto: MANDEL NGAN / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 15:24 Trump condiciona lei de habitação à reforma de regras eleitorais nos EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu a assinatura de um projeto de lei bipartidário para melhorar o acesso à moradia, condicionando sua sanção à aprovação de um pacote eleitoral que endurece as regras de registro e voto nos estados. Trump busca obrigar prova de cidadania para registro de eleitores, gerando forte oposição. A medida frustra tanto republicanos quanto democratas, que viam na lei de habitação uma rara conquista legislativa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou abruptamente nesta quarta-feira a assinatura de um projeto de lei destinado a melhorar o acesso à moradia, aprovado no Congresso com apoio dos dois partidos americanos, condicionando sua sanção à aprovação de um outro projeto, que tem o objetivo de endurecer a regra de registro de eleitores — incluindo restrições à identificação do eleitor no dia da votação e ao voto por correio. "A coletiva de imprensa e a assinatura do projeto de habitação de hoje estão canceladas até que aprovemos a tão desesperadamente necessária Lei para Salvar os Estados Unidos [Save America Act, em inglês], que considero uma emergência nacional", publicou Trump nas redes sociais, apenas horas antes de uma cerimônia programada para comemorar a aprovação da proposta com parlamentares no Capitólio. O Save America Act é um projeto que exige que os estados americanos — que constitucionalmente detêm a prerrogativa sobre a organização das eleições —, obriguem os eleitores a apresentarem uma prova de cidadania ao se registrar para votar e um documento de identificação com foto para poder votar. A medida está parada no Senado, onde a forte oposição democrata tem impedido seu avanço, por considerar as exigências discriminatórias e denunciar o projeto como uma tentativa de prejudicar seu eleitorado. A decisão contrariando interesses republicanos — incluindo do próprio governo, que prometeu entregar uma redução no custo de vida — oferece um novo vislumbre do interesse de Trump em ampliar o papel do Executivo federal no processo eleitoral. Em um ano crucial para a segunda metade do mandato de Trump, os EUA realizam as eleições midterms em outubro, enquanto o presidente passa por uma crise de popularidade. O presidente estimulou estados vistos como chave a redesenharem mapas eleitorais favorecendo aos republicanos, ao passo que tenta interferir de outras formas. Uma das frentes foi bloqueada pela juíza federal Sparkle Sooknanan, de Washington, D.C., que bloqueou uma tentativa de Trump de utilizar uma versão reformulada de um banco de dados de imigração para verificar a precisão das listas estaduais de eleitores, afirmando que a reformulação do sistema tornou-o menos preciso e criou o risco de privar eleitores elegíveis de seu direito de voto. Disputa com o Legislativo A decisão de Trump em cancelar a assinatura da lei de habitação irritou democratas e republicanos, estes em particular, de exibirem uma conquista legislativa em um ano com poucas vitórias desse tipo. Mesmo enquanto Trump desqualificava o projeto habitacional, a liderança republicana da Câmara dos Representantes o defendia durante uma coletiva de imprensa semanal. — Os republicanos da Câmara serão o partido que governa e entrega resultados — disse o deputado Tom Emmer, de Minnesota, o terceiro republicano mais influente da Câmara, aparentemente sem saber da publicação de Trump nas redes sociais. O senador Chuck Schumer, democrata de Nova York e líder da minoria no Senado, acusou Trump na manhã de quarta-feira de "fugir de uma das poucas realizações que poderiam realmente ajudar o povo americano". A Casa Branca também havia promovido o projeto — a primeira grande legislação sobre habitação aprovada em mais de 30 anos — e divulgou, na noite de terça-feira, uma declaração igualmente favorável sobre seus componentes. Mas, na quarta-feira, Trump afirmou que o projeto era "de importância secundária" e que "empalidecia em comparação" com sua proposta de legislação eleitoral. A proposta busca reduzir os custos da moradia tornando mais fácil e mais barato construir novas residências. Com cerca de 380 páginas, a chamada Lei Caminho para a Habitação do Século XXI (21st Century Road to Housing Act) reduz uma série de regulamentações federais e procura incentivar mais desenvolvimento habitacional em nível local, adotando uma abordagem que, em geral, recebeu amplo apoio de economistas e especialistas em habitação. Ainda há muita incerteza sobre os planos exatos do presidente para o pacote habitacional. Trump não informou se pretendia cancelar apenas a cerimônia de assinatura ou se daria o passo adicional de vetar um projeto que seus assessores haviam dito anteriormente que ele sancionaria. Caso o presidente simplesmente deixe de assinar a medida, ela ainda poderá se tornar lei. Quando o Congresso está em sessão, um projeto geralmente pode virar lei dez dias após ser oficialmente encaminhado ao presidente. (Com AFP e NYT)
Trump suspende assinatura de projeto bipartidário de habitação e condiciona sanção a aprovação de pacote eleitoral
Presidente americano tenta emplacar legislação que forçaria estados a endurecerem regras de registro de eleitores e votos por correio







