Em mais um capítulo de escalada de confronto com seu partido, Trump prioriza projeto de lei sobre identificação de eleitores Mesa com selo presidencial onde Trump assinaria lei de habitação nesta quarta-feira (24/06) em Washington — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz O presidente Donald Trump cancelou, nesta quarta-feira (24), seus planos de assinar um projeto bipartidário sobre habitação acessível, numa tentativa de pressionar seus colegas republicanos a aprovar um pacote de restrições nacionais ao voto nos Estados Unidos, há muito estagnado, que aprofundou divisões dentro do partido e demonstrou os limites de seu poder. Trump afirmou que participará de um almoço a portas fechadas com os republicanos do Senado na tarde desta quarta para pressioná-los a aprovar a medida eleitoral chamada SAVE America Act, sua principal prioridade legislativa. O projeto exigiria a apresentação de um documento de identidade com foto para votar em eleições federais e comprovação da cidadania americana para o registro eleitoral, além de obrigar os estados a entregar seus cadastros eleitorais ao governo federal. “A coletiva de imprensa e a assinatura do projeto habitacional de hoje estão, por meio desta, canceladas até que aprovemos o urgentemente necessário SAVE AMERICA ACT, que considero uma Emergência Nacional”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais. Alguns republicanos indicaram que isso pode ser, em grande parte, um gesto simbólico: o projeto pode se tornar lei de qualquer forma caso o presidente não o assine em até 10 dias, e os parlamentares acreditam ter votos suficientes para derrubar um eventual veto presidencial. No entanto, a determinação de Trump pode não ser suficiente. Embora os republicanos controlem 53 das 100 cadeiras do Senado, eles não possuem os 60 votos necessários para atingir o limite exigido para a maioria dos projetos de lei, o que explica as cinco votações fracassadas sobre a medida ou partes dela desde meados de março. ‘Realidades difíceis’ Os republicanos também afirmam não ter votos suficientes para atender às repetidas exigências de Trump de eliminar o limite de 60 votos e aprovar o projeto com maioria simples. “Essas são simplesmente realidades difíceis. E acho que, em algum momento, as pessoas precisam aceitar isso”, disse aos repórteres o líder da maioria no Senado, John Thune, no que pode ser uma prévia da mensagem que sua bancada transmitirá a Trump. Os republicanos do Senado também rejeitaram o apelo de Trump por outras táticas mais agressivas, como anexar o SAVE America Act a legislações consideradas indispensáveis ou demitir um funcionário do Senado que impediu a inclusão da medida em um recente pacote de gastos. Trump ao lado do líder da maioria no Senado, John Thune, na chegada do almoço com republicanos — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein Os apoiadores do projeto afirmam que não devem abandonar os esforços para aprovar uma das principais prioridades de Trump. “Para cada projeto aqui, no início nunca há votos suficientes”, disse o senador republicano Rick Scott, da Flórida, apoiador da proposta e responsável por convidar Trump para a reunião de quarta-feira. “Teremos uma boa conversa para ver se conseguimos encontrar uma maneira de levar isso até a linha de chegada.” Visita rara Visitas presidenciais ao Congresso são raras, e a reunião desta quarta ocorre em um momento em que as relações entre Trump e seu partido no Senado estão em um dos níveis mais baixos. Com menos de cinco meses até as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, que ameaçam encerrar sua maioria, os republicanos do Senado começaram a resistir a Trump em várias frentes: forçaram-no a abandonar um fundo de US$ 1,8 bilhão contra a chamada “instrumentalização política” do governo e manifestaram indignação com a escolha de um aliado sem experiência em inteligência para o principal cargo de inteligência dos EUA. Além disso, na terça, os senadores republicanos Susan Collins, Lisa Murkowski, Rand Paul e Bill Cassidy uniram-se aos democratas para aprovar uma legislação destinada a interromper a ação militar dos EUA contra o Irã. Isso provocou uma forte repreensão de Trump nas redes sociais: “Quatro republicanos perdedores votaram com os ‘Burrocratas’, e o Irã perguntou ao meu pessoal: ‘o que isso significa?’ Esses senadores apenas tornaram meu trabalho mais difícil, mas eu vou conseguir, de uma forma ou de outra, porque eu sempre consigo!”, escreveu o presidente. Críticos da legislação eleitoral, incluindo democratas no Senado, afirmam que o projeto busca combater um problema praticamente inexistente de votação por não cidadãos, mas acabaria privando do direito de voto cidadãos americanos que não possuem acesso fácil a passaporte ou certidão de nascimento. Alguns republicanos afirmam que seus esforços poderiam ser mais bem empregados em outras questões. “Cada minuto que gastamos com isso é um minuto que não estamos gastando em algo que possa ajudar meus colegas a se reelegerem”, disse aos repórteres o senador republicano Thom Tillis.
Trump só assinará lei habitacional se Senado aprovar reforma das eleições
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