Autoridades federais afirmaram em documentos judiciais que suspenderam bilhões de dólares em financiamento para projetos de energia destinados aos estados 'com base exclusivamente' no apoio que estes deram a Trump 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, chega para discursar no almoço do Rose Garden Club na Casa Branca, em Washington, em 6 de julho de 2026 — Foto: Tierney L. Cross / The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 17:51 Governo Trump Corta Verbas de Energia para Estados Opositores em 2024 O governo Trump admitiu ter cancelado bilhões em verbas federais para projetos de energia em estados que não apoiaram Trump nas eleições de 2024, revelando uso político dos fundos. Documentos judiciais mostram que as decisões foram baseadas em critérios políticos, afetando principalmente estados democratas. A situação levanta preocupações sobre a politização das concessões de subsídios federais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando o governo de Donald Trump cancelou mais de US$ 7,5 bilhões (R$ 38,2 bilhões) em subsídios federais da era de Joe Biden para projetos de energia limpa em outubro, justificou a medida como uma correção urgente para proteger o dinheiro dos contribuintes do desperdício. Mas não era verdade. Em documentos judiciais pouco divulgados, autoridades federais reconheceram neste mês que haviam encerrado o financiamento "com base exclusivamente" em critérios políticos, visando projetos em estados representados por democratas e que votaram em Kamala Harris, a candidata do partido à Presidência, nas eleições de 2024. A admissão mostrou como o presidente Trump instrumentalizou a distribuição de verbas federais para educação, energia, saúde, habitação e infraestrutura em seu segundo mandato. Longe de erradicar o tipo de desperdício que Trump considera generalizado em Washington, a Casa Branca buscou, em vez disso, usar o orçamento como ferramenta para auxiliar seus aliados — ou como arma para prejudicar os adversários do presidente. A saga ilustra os riscos envolvidos, visto que o governo Trump está finalizando um conjunto de regras que dariam ao presidente ainda mais controle sobre mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,1 trilhões) em verbas federais anuais. Para os críticos, a nova regulamentação apenas facilitaria para Trump bloquear parcelas maiores de financiamento aprovado pelo Congresso, por divergências políticas. — O risco de o governo Trump estar disposto a ir a extremos para politizar a concessão de subsídios não é hipotético — disse Devin O'Connor, pesquisador sênior do Center on Budget and Policy Priorities, um grupo de esquerda, e que trabalhou anteriormente no governo Biden. — Se eles estão dispostos a ser tão descarados assim, então acho que devemos levar a sério quando eles propõem uma estrutura que permitiria a politização extrema da concessão de subsídios em todo o governo federal. A Casa Branca e o Departamento de Energia não responderam aos pedidos de comentários. A mais recente concessão da administração em relação às verbas veio em um processo movido por um grupo de pesquisadores da Califórnia, contestando várias agências federais que cancelaram o financiamento da era Biden. Após revisar seus gastos, o Departamento de Energia criou, no ano passado, uma lista que recomendava o cancelamento de mais de 600 subsídios concedidos pelo governo Biden para uma ampla gama de projetos energéticos inovadores. Essa lista incluía financiamento para projetos em estados representados tanto por republicanos quanto por democratas. Mas, em outubro de 2025, o escritório de orçamento da Casa Branca, liderado por Russell T. Vought, cancelou apenas 284 dessas verbas. Em uma publicação nas redes sociais anunciando a notícia, Vought apontou as motivações: "Quase US$ 8 bilhões (R$ 40 bilhões) em financiamento para alimentar a agenda climática da esquerda estão sendo cancelados", disse ele. Meses depois, em documentos judiciais, autoridades federais indicaram que havia poucos outros fatores que influenciaram a decisão final sobre quais subsídios cancelar. "Com uma exceção", admitiu um advogado do Departamento de Energia em um documento judicial apresentado este mês, "as 284 subvenções canceladas tinham um local de destino e/ou pelo menos um local de execução em um estado que concedeu seus votos eleitorais a Kamala Harris na eleição de 2024 e que possui dois senadores do grupo democrata". O advogado reconheceu que nenhuma das subvenções foi incluída nos cancelamentos de outubro "com base em qualquer fator programático, estatutário, de redução de custos ou de desempenho". Em contrapartida, o governo deixou intactos centenas de subsídios adicionais para o setor energético em estados representados por republicanos e que apoiaram Trump na última eleição, embora o Departamento de Energia tivesse recomendado o cancelamento dos mesmos, conforme confirmado pelo governo em documento judicial apresentado em julho. Os cancelamentos coincidiram com um esforço mais amplo da Casa Branca na época para pressionar os legisladores democratas a cederem em uma disputa sobre financiamento que havia paralisado o governo. Naquele mês, Trump havia verbalizado a estratégia: ele ameaçou abertamente cortar o que descreveu como "agências democratas", enquanto Vought anunciou uma série de cortes adicionais de gastos visando outros estados governados por democratas. Como resultado, as ações do governo interromperam o financiamento de centenas de projetos de energia, incluindo melhorias nas redes elétricas em estados como Califórnia e Oregon; esforços para reduzir vazamentos de metano provenientes de operações de petróleo e gás no Colorado; e grandes centros para a produção de hidrogênio, um combustível de queima limpa, na Califórnia e no noroeste do Pacífico. Alguns dos beneficiários posteriormente processaram o governo Trump na tentativa de restabelecer seus financiamentos. Autoridades federais forneceram os novos detalhes sobre o cancelamento das verbas como parte de um acordo com os demandantes, cujo objetivo era poupar o governo de um processo exaustivo conhecido como descoberta de provas, segundo os autos do processo. Esse processo poderia ter exigido que as agências federais entregassem registros ainda mais prejudiciais. O acordo se aplicava a outras agências federais alvo do processo, incluindo o Departamento de Transportes e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos. Algumas agências revelaram posteriormente novos detalhes sobre a forma como analisavam suas verbas — usando palavras-chave específicas ligadas às prioridades políticas e diretrizes anteriores de Trump — para possíveis cancelamentos, de acordo com documentos judiciais adicionais deste mês. Os advogados dos demandantes não responderam ao pedido de comentário. A Casa Branca também procurou impor restrições adicionais aos beneficiários das subvenções, limitando suas atividades políticas, filiações e até mesmo participações em conferências, juntamente com exigências vagas de que não podem usar o dinheiro para certos fins, incluindo aqueles considerados "anti-americanos". O governo tem insistido que as novas regras ajudariam a evitar o desperdício e a alinhar os gastos federais com as prioridades de Trump. Em depoimento perante o Congresso neste mês, Vought afirmou que isso garantiria "que tenhamos controle democrático sobre os gastos que estão sendo feitos".
Governo Trump admite ter cancelado verbas para estados que não votaram no presidente nas eleições de 2024
Autoridades federais afirmaram em documentos judiciais que suspenderam bilhões de dólares em financiamento para projetos de energia destinados aos estados 'com base exclusivamente' no apoio que estes deram a Trump









