Projeto piloto percorrerá rios entre Manaus e Parintins para avaliar modelos de coleta de garrafas PET em regiões onde a distância e a falta de infraestrutura dificultam a reciclagem Projeto piloto de coleta de resíduos na Amazônia percorrerá rios entre Manaus e Parintins — Foto: Coca-Cola/Divulgação A Coca-Cola Brasil iniciou um projeto piloto para testar modelos de logística reversa adaptados à realidade da Amazônia, onde a reciclagem enfrenta desafios diferentes dos encontrados em outras regiões do país. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Green Mining, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e organizações locais, utilizará uma embarcação para percorrer comunidades ribeirinhas entre Manaus e Parintins promovendo educação ambiental e coleta de resíduos recicláveis. O projeto, chamado Estação Preço de Fábrica Itinerante, fará paradas em dez comunidades localizadas nos municípios de Careiro da Várzea e Itacoatiara, entre elas Uricurituba Novo, Uricurituba Velho e Caburi, até chegar em Parintins neste sábado (27). A expectativa é recolher mais de 1,5 tonelada de embalagens PET durante a operação, segundo estimativa da Green Mining. A iniciativa ocorre em um contexto de dificuldades estruturais para a reciclagem na região amazônica. Diferentemente de outras partes do país, onde o transporte de resíduos ocorre principalmente por rodovias, na Amazônia a movimentação depende dos rios e envolve longas distâncias entre comunidades, centros urbanos e unidades de processamento. Segundo a Coca-Cola Brasil, o principal desafio da logística reversa na região muitas vezes não está na separação dos materiais recicláveis, mas na viabilidade econômica de transportá-los até locais onde possam ser processados. “Neste projeto piloto buscamos compreender, na prática, os desafios da logística reversa em comunidades amazônicas. Diferentemente de outras regiões, o principal obstáculo muitas vezes não está na separação dos materiais, mas na viabilidade de transportá-los por longas distâncias até destinos adequados para reciclagem”, afirmou, em nota, Katielle Haffner, diretora de Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil. A empresa afirma que esta primeira edição terá caráter predominantemente educativo e de aprendizado operacional. Além de promover ações de conscientização sobre coleta seletiva, o projeto pretende demonstrar às comunidades que materiais como o PET possuem valor econômico e podem gerar renda quando inseridos em uma cadeia estruturada de reciclagem. A proposta é inspirada em uma iniciativa já desenvolvida pela Coca-Cola e pela Green Mining em centros urbanos, como São Paulo, onde materiais recicláveis são adquiridos diretamente de catadores. Na Amazônia, o modelo foi adaptado à dinâmica fluvial da região. “As parcerias são fundamentais porque nenhum desafio complexo se resolve de forma isolada. Este projeto piloto nasce justamente dessa construção coletiva e da oportunidade de levar para as comunidades da Amazônia uma experiência adaptada às características da região”, disse Katielle. O projeto, chamado Estação Preço de Fábrica Itinerante, terá caráter educativo e de aprendizagem operacional — Foto: Coca-Cola/Divulgação Infraestrutura limitada Embora não opere unidades próprias de reciclagem na região, a Coca-Cola afirma atuar por meio de parcerias para fortalecer a cadeia de reciclagem. Em Manaus (AM), a companhia trabalha desde 2024 com a empresa Clean Plastic, responsável pela consolidação e preparação de materiais recicláveis para processamento, movimentando cerca de 50 toneladas por mês. A companhia também participa da estruturação da cadeia de reciclagem no Norte por meio da Cirklo, recicladora instalada em Ananindeua (PA), inaugurada em 2025. A unidade tem capacidade para processar até mil toneladas mensais de PET e transformar as embalagens em flocos de resina reciclada. Segundo a empresa, ampliar a reciclagem na Amazônia depende de investimentos em infraestrutura, fortalecimento de cooperativas e redução dos custos logísticos associados ao transporte dos materiais. Conexão com o Festival de Parintins A operação também estará integrada ao Recicla, Galera, programa de educação ambiental realizado durante o Festival de Parintins pela Sema, em parceria com a Associação dos Catadores de Parintins (Ascalpin), Sebrae-AM, Coca-Cola Brasil e outras organizações. Criado em 2022, o projeto já contribuiu para a destinação adequada de mais de 27 toneladas de resíduos recicláveis durante o evento, segundo dados da secretaria estadual. Após a chegada da embarcação a Parintins no sábado, os resíduos recolhidos nas comunidades visitadas serão transportados de volta a Manaus juntamente com materiais coletados durante o festival e pela Ascalpin, permitindo testar toda a cadeia logística da operação. Para Gustavo Biscassi, vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, a iniciativa busca gerar conhecimento sobre soluções adaptadas à realidade amazônica. “Este projeto piloto nasce dessa visão de continuidade e da importância de desenvolver soluções alinhadas à realidade amazônica”, afirmou. A operação também estará integrada ao Recicla, Galera, programa de educação ambiental realizado durante o Festival de Parintins pela Sema — Foto: Arthur Castro O Festival de Parintins é um dos maiores eventos culturais do país e reúne anualmente milhares de pessoas na ilha de Parintins (AM) para assistir à disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido. Com forte influência da cultura amazônica e dos povos indígenas, a celebração também movimenta a economia local e atrai empresas, organizações sociais e órgãos públicos para ações voltadas ao desenvolvimento da região.