Projeto desenvolvido por startup criada por engenheiros formados no ITA prevê veículo de efeito solo capaz de transportar até dez passageiros e operar sobre rios sem necessidade de aeroportos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O protótipo do veículo de efeito solo desenvolvido pela startup brasileira AeroRiver foi projetado para operar sobre rios amazônicos, voando a baixa altitude e alcançando velocidades de até 150 km/h para reduzir o tempo de deslocamento entre comunidades isoladas — Foto: Divulgação/AeroRiver RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 10:57 Startup do ITA desenvolve "barco voador" para transporte na Amazônia Uma startup brasileira, criada por engenheiros do ITA, desenvolve um "barco voador" que promete revolucionar o transporte na Amazônia. O veículo de efeito solo, que pode transportar até dez passageiros a 150 km/h, visa reduzir o tempo de viagem entre comunidades isoladas e centros urbanos, usando a infraestrutura fluvial existente sem necessidade de aeroportos. O projeto busca melhorar a mobilidade na região, tendo apoio de programas de inovação do governo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma startup criada por engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) aposta em uma tecnologia híbrida entre embarcação e aeronave para enfrentar um dos principais desafios logísticos da Amazônia: o transporte rápido entre comunidades isoladas e centros urbanos. O projeto prevê a construção de um veículo de efeito solo — conhecido popularmente como “barco voador” — capaz de voar a cerca de cinco metros da superfície da água e atingir velocidades de até 150 km/h. Desenvolvida pela AeroRiver, empresa fundada em 2020 na região Norte do país, a proposta busca oferecer uma alternativa para deslocamentos em áreas onde rios são as principais vias de circulação, mas as longas distâncias e as condições sazonais de cheia e seca dificultam o acesso a serviços essenciais, como atendimento médico e transporte de cargas. Segundo os responsáveis pelo projeto, o veículo foi concebido para transportar até dez passageiros ou aproximadamente uma tonelada de carga. Com isso, trajetos que hoje podem levar dias por embarcações convencionais teriam o tempo de viagem significativamente reduzido. Um dos diferenciais da tecnologia é utilizar a própria infraestrutura fluvial existente, dispensando pistas de pouso e aeroportos. O equipamento opera explorando o chamado efeito solo, fenômeno aerodinâmico que permite voar a baixa altitude sobre a água com maior eficiência energética do que aeronaves tradicionais. Lucas Guimarães, um dos desenvolvedores do projeto e ex-aluno do ITA, afirma que a iniciativa nasceu da necessidade de criar soluções adaptadas às características geográficas da Amazônia. Segundo ele, a região possui uma das maiores redes hidrográficas do planeta, mas ainda enfrenta limitações importantes de mobilidade, e a proposta é desenvolver uma tecnologia compatível com essa realidade que também gere impacto social relevante. Outra vantagem apontada pela equipe é o enquadramento regulatório do equipamento. De acordo com Guimarães, por ser classificado como embarcação e não como avião, o veículo segue regras diferentes das aplicadas ao transporte aéreo convencional, o que pode facilitar sua adoção em determinadas rotas. Após cerca de quatro anos de pesquisas, a AeroRiver iniciou a construção do primeiro protótipo em escala real. Antes disso, modelos reduzidos passaram por testes para validar o conceito tecnológico. Paralelamente, a empresa trabalha no desenvolvimento de uma versão não tripulada voltada ao transporte de pequenas cargas, com capacidade aproximada de 20 quilos. Guimarães informou que essa etapa servirá para ampliar os testes operacionais e aperfeiçoar a tecnologia antes da entrada em serviço comercial. Segundo o engenheiro, a expectativa é iniciar as primeiras operações experimentais até o fim deste ano e, posteriormente, consolidar rotas estratégicas na Amazônia. Além de reduzir o tempo de deslocamento, a startup acredita que a adoção do veículo poderá diminuir custos logísticos e ampliar a integração entre comunidades remotas e polos urbanos, favorecendo o acesso a serviços públicos, mercadorias e oportunidades econômicas. A meta de longo prazo é transformar o equipamento em uma alternativa de transporte para regiões onde a deficiência de infraestrutura ainda representa um entrave ao desenvolvimento social e econômico. O projeto recebeu apoio do Programa Centelha, iniciativa de incentivo à inovação promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com outras instituições de fomento à pesquisa e ao empreendedorismo.