Jogo contra Escócia acontece sob índices considerados de ‘extrema cautela’, com potencial para desafiar jogadores, Ancelotti e até o Canarinho Pistola 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Torcida brasileira é maioria nas arquibancadas na Filadélfia para jogo entre Brasil x Haiti, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo — Foto: Kevin C. Cox/Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 07:42 Seleção Brasileira Enfrenta Calor Intenso em Jogo contra Escócia em Miami A seleção brasileira enfrenta um desafio térmico em Miami, com temperaturas previstas de até 32ºC e sensação térmica de 38,3ºC, na partida contra a Escócia. O calor extremo, descrito como de "extrema cautela" pelo Serviço de Meteorologia dos EUA, pode afetar jogadores e até o mascote Canarinho Pistola. Para mitigar os efeitos, a FIFA introduziu pausas para hidratação, apesar de críticas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com máxima de 32ºC, a temperatura prevista para hoje em Miami, na partida contra a Escócia, tende a se tornar alta já enfrentada pela seleção brasileira desde a estreia na Copa do Mundo 2026. O torneio, até aqui, teve os termômetros variando, em média, entre 26ºC na vitória contra o Haiti, na Filadélfia, semana passada, e 29ºC em Nova Jersey, no empate com o Marrocos, no último dia 13. Às 19h, a equipe enfrentará um primeiro “teste de fogo” no torneio, antecedido por preocupações com o risco de calor extremo em meio à primavera do Hemisfério Norte, na esteira do Mundial de Clubes, no ano passado. Doutor em Biometeorologia (ciência dedicada à interação entre os seres vivos com o tempo e o clima), Anderson Nedel projeta, com base em dados do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, que a sensação térmica em Miami pode variar entre 37.7ºC e 38.3ºC — originalmente, a conta é feita em Fahrenheit. O órgão subordinado ao governo americano dispõe de uma cartilha na qual temperaturas do tipo são descritas como de “extrema cautela” (“extreme caution”, em inglês). Segundo o documento, esse nível de calor implica na possibilidade de insolação, cãibras — com potencial para atrapalhar jogadores, e exaustão pelo calor “com exposição prolongada e/ou atividade física”. — A sensação térmica representa a sensação de comodidade ou de desconforto de uma pessoa num ambiente, a depender da temperatura, da umidade, da velocidade do vento e da radiação solar. Também influenciam o metabolismo e a vestimenta de cada um. Por isso, a percepção do calor sempre vai ser individual, variando de pessoa para pessoa — diz Nedel, que é professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, em Cerro Largo (RS). Sombra para a torcida Casa dos Miami Dolphins na NFL e palco do GP de Miami na Fórmula 1, o Hard Rock Stadium, que recebe Brasil e Escócia mais tarde, tem capacidade para 65 mil espectadores. Eles devem sofrer menos com o calor do que deveriam: vão ficar na sombra. As arquibancadas do equipamento são cobertas, garantindo maior conforto térmico para quem estiver nelas. Ainda assim, é nelas que a sensação térmica pode chegar a até 38.3ºC. No mês passado, a estrutura não foi suficiente para conter as imposições do tempo na Flórida: previsões de tempestades fizeram com que o GP de Miami fosse adiantado em três horas. Mesmo com o público protegido, as principais estrelas do evento — pilotos, na ocasião — estariam expostas ao risco da pista molhada. No futebol não será diferente. Sob o sol do fim da tarde, o gramado do estádio terá percepção de calor mais aguda do que das arquibancadas. Ainda segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, fora da sombra, a sensação térmica pode subir em 8ºC. Assim, jogadores brasileiros e escoses podem ter a percepção de que estão disputando a última rodada da Fase de Grupos imersos num calor acima dos 46ºC. O sol, aliás, só se põe ao fim da partida. Para contribuir com o desempenho dos jogadores, a Fifa criou este ano pausas de três minutos para a hidratação em cada um dos tempos das partidas da Copa. Ontem, segundo a Associated Press, o presidente da organização, Gianni Infantino descartou manter a medida em futuras edições do mundial. Treinadores e torcedores têm criticado a novidade, associada à inserções publicitárias e alterações no desempenho dos times. — A razão pela qual existem estas pausas é, claramente, o calor. Em um Mundial com oito jogos disputados por dia ao longo de 39 dias, é importante fazer uma pausa para descansar um pouco — declarou Infantino. Terno e fantasia Roupas interferem na sensação térmica de cada um de nós, conforme afirma o professor Anderson Nedel. Mas e quanto aos figurinos mais notórios nas fileiras do Brasil, além das camisas amarelas e calções e meiões brancos selecionados para hoje? Miami é um desafio para eles: tanto Carlo Ancelotti com seu tradicional terno quanto o Canarinho Pistola com sua fantasia icônica podem acabar sentindo mais calor hoje do que em Nova Jersey e na Filadélfia. O resultado depende dos tecidos e também dos hábitos adotados por cada um. — Roupas funcionam como isolantes térmicos e, quanto mais grossas, mais resistência elas têm. Logo, quando vestimos tecidos mais finos, o calor deixa o corpo de maneira mais confortável. O contrário acontece com tecidos mais grossos — explica Nedel, completando: — A roupa preta (como o terno de Ancelotti), em tese, absorve e faz sentir mais calor. No caso do treinador, como ele sempre está de terno, pode ser que o incômodo não seja tanto quanto imaginamos. No caso do Canarinho, o mascote da seleção, a pelúcia que reveste a fantasia pode ser um agravante diante do calor de Miami. Já que o intérprete do personagem não é autorizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a conceder entrevistas, a reportagem do GLOBO buscou respostas num “outro poleiro”. O ator Je Nascimento, de 39 anos, interpreta há cinco o Sabiá, pássaro que representa o Salgueiro, escola de samba do Rio de Janeiro. Ele também já deu vida ao Fuleco, tatu-bola que se tornou o maior símbolo da Copa do Mundo do Brasil, em 2014. A experiência do Sabiá com as altas temperaturas em território carioca resultam em dicas para o homólogo Canarinho Pistola em sua viagem para o solo americano: — Dentro da fantasia, a sensação é de uma sauna. Temos ventilação natural e mecânica, mas ainda assim saímos com as roupas debaixo encharcadas de suor — diz Nascimento, indicando: — Sempre bebo bastante água, nada alcoólico e só como comidas leves. Faço pausas para hidratação em locais reservados, para não perder a magia. E estou sempre com mudas de roupa, por causa do suor. Não é qualquer um que encara.
Em Miami, seleção deve enfrentar partida mais quente da Copa até aqui
Jogo contra Escócia acontece sob índices considerados de ‘extrema cautela’, com potencial para desafiar jogadores, Ancelotti e até o Canarinho Pistola













