Em Jogos Olímpicos, atletas escoceses são obrigados a defender a bandeira britânica,Texto resumo para homepage do site O Brasil entra em campo esta noite, em Miami, com o peso de cinco títulos mundiais e o favoritismo técnico, mas com a perspectiva de um confronto duro contra a Escócia, uma seleção que sempre costuma lutar valentemente para superar as dificuldades com a bola de futebol por detectar no esporte mais popular do planeta uma das poucas chances de mostrar ao mundo a sua cultura própria e independente do Reino Unido, algo que acontece apenas em modalidades esportivas individuais - nos Jogos Olímpicos, atletas escoceses são obrigados a defender a bandeira britânica. Será a quinta vez que Brasil e Escócia se enfrentarão em Copas do Mundo. Em todas, os escoceses lutaram com valentia para evitar o resultado mais provável, a derrota, algo que faz parte do DNA de um povo que até hoje não aceita completamente estar submetido ao Reino Unido, um Estado formado por quatro nações (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte), mas que é controlado politicamente pela Inglaterra. No primeiro confronto, em 1974, a Escócia segurou um empate por 0 x 0 contra o Brasil na fase de grupos, mas ainda assim não conseguiu se classificar. Em 1982, a goleada por 4 x 1 do time liderado por Sócrates esconde o susto que os escoceses deram naquela que é considerada uma das melhores seleções brasileiras de todos os tempos - o placar esteve 1 a 0 a favor da Escócia até os 33 minutos do primeiro tempo, quando Zico fez um golaço de falta e baixou o ímpeto dos escoceses. No 1 x 0 de 1990 e no 2 x 1 de 1998, novamente os escoceses defenderam o seu gol com a mesma valentia que seus ancestrais, entre eles o plebeu William Wallace e o lendário rei Robert The Bruce, protegeram militarmente os seus territórios contra os ataques do poderoso exército inglês da época. A comparação não é um mero exagero metafórico. Os símbolos da histórica resistência escocesa contra a Inglaterra está presente o tempo todo nos jogos da seleção, tanto nas arquibancadas quanto dentro do protocolo institucional da equipe. O hino escocês, tocado antes de cada partida, não é o famoso “God Save the King” ou “God Save the Queen”, entoado quando um atleta escocês conquista uma medalha de ouro nas Olímpiadas. O que jogadores e torcedores cantam entusiasmadamente é a canção “Flower of Scotland”, hino informal que afronta a Inglaterra ao cantar “Ó Flor da Escócia, quando veremos alguém como você novamente, que lutou e morreu por sua pequena colina e vale, resistir ao Exército do orgulhoso Edward. E o mandou de volta para casa, para repensar”. O trecho, que serve como uma invocação ao espírito escocês de luta, reverencia a Batalha de Bannockburn, em 1314, quando os guerreiros liderados por Robert The Bruce impuseram uma derrota decisiva contra o exército inglês de Eduardo II, o que ajudou a manter a Escócia formalmente independente por praticamente mais quatro séculos. Assim como o gol contra do zagueiro Tom Boyd no confronto contra o Brasil em 1998, a Escócia perdeu definitivamente a sua independência em 1707 por uma falha própria depois de tanto resistir à artilharia inimiga. Ao tentar criar uma colônia no Panamá, movimento conhecido como Projeto Darién, com o objetivo de atuar ativamente no comércio global, o plano fracassou monumentalmente e colapsou a economia escocesa, o que fez a nobreza local ceder às investidas seculares da Inglaterra e assinar o Tratado da União, documento que marca o início formal do Reino Unido como um Estado conjunto entre as quatro nações britânicas sob o domínio geopolítico e institucional da Inglaterra. Hoje, em Miami, enquanto o Exército de Tartan - a pacífica e divertida torcida escocesa - estiver invocando no estádio o espírito de resistência de William Wallace e Robert The Bruce, não custa nada ao Brasil lembrar que a insistência e a paciência da Inglaterra foi o fator determinante para derrotar a Escócia. Nas vitórias anteriores nas Copas de 82, 90 e 98, essa estratégia foi essencial e não há muitos motivos para acreditar que desta vez será muito diferente.