0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Enchente no Rio de Janeiro — Foto: Arquivo / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 06:19 Brasil Planeja Fundo Nacional de Proteção Climática com PPPs O Brasil está discutindo parcerias público-privadas para criar um fundo nacional de proteção a catástrofes, visando mitigar os impactos das mudanças climáticas. A proposta envolve ampliar a cobertura de seguros, especialmente imobiliários, e criar um fundo público para cobrir perdas significativas. Especialistas destacam a importância de mais dados para melhorar a precificação de seguros e a necessidade de incentivos para que empresas e governos considerem riscos climáticos em suas decisões. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil discute um modelo de parceria público-privada na área de seguros para lidar com os riscos crescentes derivados de eventos naturais e das mudanças climáticas. A ideia, que passa por ampliar a cobertura securitária, sobretudo no segmento de imóveis, é encontrar alternativas para melhorar a capacidade de resposta a desastres como a enchente no Rio Grande do Sul, em 2024, ou mesmo os impactos do esperado El Niño. Uma das possibilidades em discussão é a criação de um fundo público que cobriria perdas a partir de um valor determinado, explica a diretora de sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), Cláudia Prates, que compõe um grupo de trabalho com o órgão regulador do setor, a Superintendência de Seguros Privados (Susep). O arranjo pode ter diferentes formatos e fontes de recursos, mas a lógica é que a cobertura do setor de seguros seja feita até um determinado nível, e o fundo seja acionado a partir desse ponto. O tema foi discutido em um dos painéis do Fórum Brasil-UK de Seguros, realizado na Inglaterra no âmbito da “London Climate Action Week”. O evento ocorre, curiosamente, em uma semana de calor atípico na capital britânica e envolve discussões sobre como lidar com a crescente recorrência de eventos de grande porte e com impactos difíceis de se prever. — Após um desastre climático, não há capital novo na economia local; empresas e governos se endividam para reconstruir, atrasando a recuperação — disse Claudia Prates. Ela lembra que apenas R$ 6 bilhões de um total de perdas diretas de R$ 35,6 bilhões no Rio Grande do Sul foram cobertos por seguros, evidenciando uma enorme "lacuna de proteção", que é ainda maior nas regiões Nordeste e Norte, onde a renda da população é menor. O presidente da Allianz no Brasil, Eduard Folch, destacou que há diferentes arranjos possíveis para estruturar esse fundo voltado ao enfrentamento de desastres. Uma das ideias é definir que parte do prêmio dos seguros seja direcionada para essa finalidade. Segundo ele, é um modelo que funcionou, por exemplo, na Espanha, que capitalizou um fundo desse tipo ao longo de décadas. Mas há outros modelos, que podem envolver diferentes atores. Folch destaca que o mercado securitário no Brasil já representa 6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, superando muitos setores com mais atenção "midiática", mas ele vê um grande espaço para crescer e reduzir o "gap" (lacuna) de proteção, especialmente no segmento residencial. O executivo pondera que isso ajudaria a conter os impactos dos eventos climáticos na vida das pessoas e nas economias locais, além de diminuir os custos para o próprio setor público. — Uma questão que está evoluindo rapidamente é a correlação entre vulnerabilidade econômica e vulnerabilidade climática. Hoje, no Brasil, quando ocorre uma catástrofe, apenas cerca de 10% dos prejuízos estão segurados; 90% dos custos recaem sobre empresas, pessoas ou o governo. E a catástrofe atinge justamente quem tem menor capacidade de recuperação. O risco atual exige muito mais ação conjunta entre o setor público e os seguradores — defendeu Folch. Além do desafio de ampliar a cobertura securitária no país, as discussões no Fórum apontaram para a necessidade de ampliar a produção de dados, tanto para melhorar a prevenção de eventos desastrosos quanto para aperfeiçoar a precificação dos seguros. Coordenadora do departamento de pesquisas da FGV, a pesquisadora Goret Paulo chama a atenção para a necessidade de ampliar a geração de informações pela academia e pelo próprio setor privado. — Nós temos insuficiência de dados para trabalhar com políticas públicas. Esse é o desafio crítico com o qual precisamos lidar — disse Goret, que também lidera a iniciativa CR2 (Risco Climático e Resiliência Climática, na sigla em inglês), voltada à ampliação da geração de dados para subsidiar políticas públicas e aperfeiçoar os modelos de análise. O presidente da CNSeg, Dyogo de Oliveira, também vê a necessidade de ampliar o volume de informações para que seja possível dimensionar melhor os riscos, sobretudo aqueles decorrentes das mudanças climáticas. Ele comenta que, embora os bancos provisionem recursos para perdas em empréstimos, frequentemente não consideram o fator climático por trás dessas perdas. Da mesma forma, as empresas têm dificuldade em incorporar esse risco em seus balanços. E tudo isso acaba prejudicando a formação de preços correta e atrapalhando o desenvolvimento do mercado. — Creio que precisamos avançar também na direção de criar os incentivos adequados para as empresas, para o setor financeiro e para os formuladores de políticas públicas, a fim de que levem em consideração o risco climático nas decisões que tomam — afirmou Oliveira, que já foi ministro do Planejamento. Para Pedro Farme, presidente da resseguradora Guy Carpenter, reforça a necessidade de ampliar a cobertura de seguros no país e defende que o governo deveria atuar como fomentador desse tipo de solução. Ele também destaca que isso pode atenuar impactos fiscais dos eventos climáticos negativos. — Há muitos exemplos dos quais podemos aprender. Esse tipo de mecanismo precisará passar por um alinhamento entre todas as partes, porque é fundamental para a resiliência climática — disse Farme, apontando que fatores como a insuficiência de renda de parte dos brasileiros pode ser enfrentada com arranjos específicos dos mais diversos, inclusive subsídios para amplificar a cobertura contra eventos catastróficos. * O jornalista viajou para Londres a convite da CNSeg
Mudanças climáticas impulsionam debate sobre fundo nacional de proteção a catástrofes
Mudanças climáticas impulsionam debate sobre fundo nacional de proteção a catástrofes






