Depois de conquistarem a Alemanha, na Euro-24, torcedores escoceses viraram atrações das cidades de Boston e Miami, que chegou a encomendar marcha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tocadores de gaita de fole comandam a marcha de torcedores escoceses em Miami, na Flórida — Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 23:17 Torcida Escocesa Impulsiona Economia e Cultura em Cidades Globais A torcida escocesa, conhecida como Exército Tartan, tem atraído atenção e lucro para cidades que os recebem, mesmo com a seleção não sendo competitiva. Em Miami, a prefeitura declarou 23 de junho como Dia do Exército Tartan, após uma marcha festiva dos torcedores. Em Boston, a presença escocesa aumentou a arrecadação fiscal e gerou uma parceria com Glasgow. O entusiasmo e simpatia dos escoceses se destacam, reforçando seu papel como embaixadores culturais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Terminada a marcha de escoceses pela Ocean Drive, em South Beach, a praia mais famosa de Miami, Graeme Fettes admirava com orgulho uma espécie de diploma. Era um decreto assinado pelo prefeito, Steven Meiner, oficializando o 23 de junho como Dia do Exército Tartan (como é conhecida a torcida do país europeu) na cidade. Milhares caminharam pela avenida — muitos usando saia kilt — com cervejas em punho, guiados por tocadores de gaitas de fole e exibindo bandeiras e camisas azul e branca. Interagiram com moradores e policiais e receberam torcedores de outras seleções de braços abertos. — É inexplicável tudo isso. O que vivenciei ontem e hoje com meu filho são memórias que vamos guardar para sempre — disse o escocês de Coatbridge. O evento do dia anterior ao qual ele se refere foi outra marcha, só que em direção ao estádio do time de beisebol Miami Marlins. Os escoceses compraram 8 mil ingressos para o jogo contra o Texas Rangers e fizeram uma apresentação de gaita de fole antes da partida. O escocês Graeme Fettes exibe o decreto oficializando o Dia do Exército Tartan em Miami Beach — Foto: Rafael Oliveira A marcha de ontem, segundo Fettes, foi feita a pedido da própria prefeitura. E não é difícil entender o porquê. Com o turismo como principal fonte de renda, Miami Beach teve seus restaurantes e bares tomados por escoceses. A quantidade de bandeiras do país nas janelas e sacadas dos hotéis também entregavam a ocupação. A economia local não teve do que reclamar. O Exército Tartan começou como uma das muitas histórias da Copa e rapidamente mostrou que também pode ser um filão para quem os recebe. Boston que o diga. Na sede das duas primeiras partidas da Escócia (vitória sobre Haiti e derrota para Marrocos), os bares e restaurantes precisaram repôr, em caráter de emergência, os estoques de cerveja. Martha Sheridan, diretora executiva da agência de promoção do turismo local, revelou à Reuters que a arrecadação de impostos da cidade e do estado de Massachussetts receberia um impulso neste mês de junho. Restaurantes de Miami Beach faturam com invasão escocesa durante a Copa — Foto: Rafael Oliveira Por lá, cerca de cinco mil escoceses foram ao estádio dos Red Sox, time de beisebol da cidade, e também viraram uma atração à parte no jogo. Fizeram tanto sucesso que o presidente do clube enviou uma carta de agradecimento à federação de futebol da Escócia. De olho no impacto da visita, a prefeita de Boston, Michelle Wu, quer tentar gerar mais frutos. Ao lado da capital escocesa Glasgow, anunciou que as duas a partir de agora são cidades-irmãs. O futebol é parte da identidade dos escoceses. Só que eles não são competitivos. Em oito Copas (sem contar a atual), nunca avançaram de fase. É a torcida que acaba cumprindo o papel de embaixadora cultural do país. O escocês Shonny Paterson entre o filho Colo e a esposa Fiona na véspera de Brasil x Escócia — Foto: Rafael Oliveira Para isso, fazem questão de se desassociar dos ingleses. Enquanto os vizinhos eram vistos como brigões, o Exército Tartan conquista pela simpatia. O que se passou em Boston e em Miami já havia ocorrido na Alemanha durante a Euro de 2024. — Isso aqui representa a família do futebol porque a função do esporte é unir e não separar — explicou o escocês Shonny Paterson, que vestia uma camisa do Brasil, comprada no dia anterior, junto com sua saia kilt. O escocês Shonny Paterson exibe a foto tirada no dia em que assistiu a Brasil x Escócia, pela Copa de 1998 — Foto: Rafael Oliveira Ao lado do filho e da esposa, com quem participou dos mesmos eventos na Alemanha, há dois anos, o escocês da área de Argyll e Bute desfruta da sua segunda Copa, a primeira em família. Ele guarda até hoje a foto tirada com um amigo no dia do jogo contra o Brasil, na Copa da França, em 1998, a última com a Escócia. — A Copa da França sem dúvidas foi melhor. Um ingresso custava 250 dólares. Hoje, está 2 mil. Não tenho como ir com minha família. Vamos curtir esta experiência aqui e ver o jogo numa fan fest — explicou. Escoceses fazem a festa em Miami Beach antes de Brasil x Escócia — Foto: Rafael Oliveira Os valores desta Copa são um obstáculo para os escoceses, mas não os impede de festejar. Alguns viajaram sem ingressos mesmo. Dos que têm tíquetes, muitos se organizaram e alugaram ônibus para driblar os preços praticados pelos estados no transporte público nos dias de jogos. Eles só não sabem se vão driblar mesmo é o Brasil. Mas não perdem a esperança de conseguir sua sonhada primeira classificação. — Avisa ao Ancelotti que um empate já basta para nós — brincou Graeme Fettes.
Pouco competitiva em campo, Escócia tem na torcida seu maior ativo e gera lucro para cidades que a recebem
Depois de conquistarem a Alemanha, na Euro-24, torcedores escoceses viraram atrações das cidades de Boston e Miami, que chegou a encomendar marcha














