Durante operação policial nessa terça-feira, tiros atingiram carros, residências e a fachada de uma igreja Metodista, na Rua São Clemente, em frente à entrada da favela 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operação no Dona Marta — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 03:42 Confronto Intenso no Morro Dona Marta Expõe Força do Tráfico Local Uma operação da Polícia Civil no Morro Dona Marta, em Botafogo, enfrentou intensa resistência do Comando Vermelho, revelando a importância estratégica do local para o tráfico de drogas. O confronto durou 20 minutos e causou pânico na região. Tiros atingiram carros, residências e uma igreja. A ação visava 44 suspeitos, resultando em seis prisões. A facção é conhecida por sua alta capacidade bélica e comercialização de drogas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Antes de o sol nascer, o silêncio da madrugada foi cortado por tiroteio intenso ouvido em diversas partes da Zona Sul do Rio. Deflagrada ontem, no Morro Dona Marta, em Botafogo, uma operação da Polícia Civil contra a facção criminosa Comando Vermelho (CV) transformou a comunidade e arredores em cenário de guerra. Logo na subida da favela, a partir da Rua São Clemente, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) enfrentaram forte resistência: foram 20 minutos de embate. Perto das 5h30, partiram de bairros vizinhos, como Humaitá, Laranjeiras e Copacabana, relatos nas redes sociais sobre o som de tiros e explosões de granadas. Botafogo, onde o confronto efetivamente aconteceu, é conhecido pela grande concentração de estabelecimentos de ensino. Naquele momento, alunos e responsáveis buscavam descobrir se haveria aula de manhã — e se seria possível chegar às escolas. Baleado rumo ao trabalho No morro e no asfalto, quem pôde também aguardou um momento seguro para sair de casa. Paulo Márcio do Nascimento, de 41 anos, não teve tempo: morador da Lapa, já a caminho do restaurante onde trabalha, na Lagoa, o auxiliar de serviços gerais foi alvo de uma bala perdida dentro do ônibus da linha 410, quando o coletivo passou diante do acesso ao Dona Marta. A bala atravessou sua perna direita. — A gente vinha normal. Passamos por várias viaturas e, quando chegamos em frente ao morro, começou o tiroteio. Foi muito rápido. Todo mundo começou a gritar para abaixar. Eu também me abaixei, mas, mesmo assim, fui atingido — contou ele, que foi atendido no Hospital Municipal Miguel Couto e teve alta ontem mesmo. Drone da polícia filmou traficantes circulando armados pelo Dona Marta Violento, o embate entre policiais e bandidos ultrapassou os limites do morro. Tiros atingiram carros, residências e a fachada de uma igreja Metodista, na Rua São Clemente, em frente à entrada da favela. No segundo andar de outro dos imóveis alvejados, uma bala atravessou o vidro da janela do quarto usado pelos três netos de um aposentado de 79 anos. O cômodo, conhecido pela família como “o quarto da bagunça”, reúne brinquedos, roupas, desenhos e lembranças das crianças. Ali, ao lado do quadro pintado por um neto, a bala abriu um buraco na parede. — A maior parte dos objetos é dos meus netos. Tem brinquedos, roupas, quadros. Também tem um guarda-roupa da minha esposa. Se fosse no fim de semana, eles estariam aqui — contou o morador. No apartamento vizinho, uma moradora de 74 anos viveu situação semelhante. Uma bala atingiu a janela do quarto de hóspedes, cômodo onde ela antes costumava dormir. O projétil perfurou o vidro, espalhando estilhaços pela cama e pelo chão. — Faz 20 anos que não tinha esse problema. Eu me mudei recentemente para o Rio de novo. Estava morando no Vale do Cuiabá (em Petrópolis, na Região Serrana), mas voltei por causa do nascimento do meu neto. Meu Deus, lá eu acordava com passarinho. Aqui acordamos assim, com barulho de bomba e tiro — lamentou ela. Traficantes do Dona Marta anunciavam drogas como 'especiarias' em rede social; embalagens eram inspiradas em filmes e desenhos O Colégio Santo Inácio e a Escola Sá Pereira, em Botafogo, pediram, em comunicados, que os estudantes não fossem às aulas. O Colégio Cruzeiro, no bairro, e o Andrews, no Humaitá, mantiveram o funcionamento. No topo do morro, fora da favela, o Mirante Dona Marta, ponto turístico concorrido da cidade, estava ocupado por um grupo de visitantes que, à espera do nascer do sol, acabou impedido de deixar o local por causa da troca de tiros. Na favela, a equipe do GLOBO entrou no imóvel de uma aposentada e encontrou cômodos completamente revirados. Após a ação policial, objetos estavam fora do lugar na cozinha, no banheiro e nos quartos. Abalada, a moradora afirmou que a família passou horas sob tensão. Ao RJ2, a Polícia Civil declarou que “todos os 98 imóveis acessados pelas equipes que atuaram na operação eram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário.” A ofensiva da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) mirou 44 suspeitos investigados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo a Polícia Civil, a forte reação dos criminosos reflete a importância estratégica do Dona Marta para o Comando Vermelho. Foram cumpridos mandados de prisão contra seis suspeitos. O delegado Paulo Saback, da DRE, disse que o confronto estabelecido pelos bandidos tinha o objetivo de atrasar a entrada dos agentes na comunidade e possibilitar a fuga dos chefes criminosos: — Nossas equipes ficaram cercadas por cerca de 20 minutos tentando acessar o início da comunidade, não conseguiam avançar graças à ação bélica por parte desses narcoterroristas, que atuam sem nenhum compromisso. Atiram em populares, em transeuntes e em transporte público que passa na região. Operação da Polícia Civil no Morro Santa Marta 1 de 15 Tiros atingem apartamentos em frente ao Dona Marta; marcas ficaram a centímetros de quarto pintado por neto de morador — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 2 de 15 A janela do apartamento perfurada por um tiro — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo X de 15 Publicidade 15 fotos 3 de 15 Policiais civis circulam pelo Morro Santa Marta, em Botafogo, durante operação contra integrantes do Comando Vermelho realizada na manhã desta terça-feira — Foto: Fabiano Rocha/O Globo 4 de 15 Equipes da Polícia Civil se concentram em uma das vias do Morro Santa Marta durante ação para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 15 Publicidade 5 de 15 Agentes da Polícia Civil permanecem posicionados em área da comunidade durante a operação que mira a estrutura do Comando Vermelho no Santa Marta — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 6 de 15 Placa que proíbe o uso de celular é vista em área do Morro Santa Marta durante a operação policial desta terça-feira — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 15 Publicidade 7 de 15 Veículos blindados e equipes da Polícia Civil ocupam o entorno do Morro Santa Marta, em Botafogo, durante a ofensiva contra investigados por tráfico de drogas — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 8 de 15 Policiais civis percorrem um dos acessos do Morro Santa Marta para cumprir mandados expedidos pela Justiça contra investigados ligados ao Comando Vermelho — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 15 Publicidade 9 de 15 Agentes deixam o Morro Santa Marta após diligências realizadas durante a operação da Polícia Civil na comunidade, na Zona Sul do Rio — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 10 de 15 Polícia Civil realiza ação no Dona Marta, e moradores relatam intenso tiroteio na Zona Sul do Rio — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 15 Publicidade 11 de 15 Polícia Civil realiza ação no Dona Marta, e moradores relatam intenso tiroteio na Zona Sul do Rio — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 12 de 15 Policiais chegam com material apreendido à Cidade da Polícia — Foto: Geraldo Ribeiro/Agência OGlobo X de 15 Publicidade 13 de 15 Colégio Santo Inácio, em Botafogo, orientou estudantes a ficarem em casa — Foto: Márcia Foletto 14 de 15 Ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes mira 44 investigados ligados ao Comando Vermelho e cumpre mandados de prisão e busca na comunidade da Zona Sul — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 15 Publicidade 15 de 15 Ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes mira 44 investigados ligados ao Comando Vermelho e cumpre mandados de prisão e busca na comunidade da Zona Sul — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo Policiais civis realizam operação no Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra investigados ligados ao Comando Vermelho Placa avisa: ‘no photos’ O delegado explicou que a favela é importante economicamente para a facção por ser um reduto de alta comercialização de entorpecentes. Traficantes espalharam avisos orientando visitantes a não registrarem imagens das bocas de fumo locais. Na comunidade, é possível encontrar placas com mensagens como “Telefone no bolso” e “É proibido o uso de celular”, algumas delas também em inglês. Uma placa com a inscrição “No photos” (“Sem fotos”, em inglês) estava ao lado de um mural que anunciava promoções de diferentes tipos de maconha. O ICE, forma concentrada da droga, era vendido por R$ 65 o grama, com compra mínima de três gramas. Já o skank custava R$ 10 o grama, podendo ser adquirido a partir de dez gramas. A PAC, espécie de haxixe paquistanês extraído da planta da maconha, era comercializada por R$ 75 o grama. Maior poder bélico Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano, um dos principais alvos da operação no Dona Marta teria conseguido escapar do cerco policial fugindo em direção a uma região de mata. De acordo com o delegado Sabak, Mexicano foi o responsável por ampliar o poder bélico da facção na comunidade, que passou dos três ou quatro fuzis de alguns anos atrás para pelo menos 30 armas do tipo contabilizadas pelos investigadores. Segundo as investigações, iniciadas há 22 meses, Mexicano atua sob as ordens de Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9, que está preso em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Mesmo custodiado em uma unidade federal desde 2016, as apurações da Polícia Civil indicam que ele continua exercendo influência sobre a facção e repassando ordens aos integrantes do grupo criminoso. A operação de ontem contou com a participação de cerca de 500 policiais.
Dona Marta: estratégico para o Comando Vermelho, morro tem alta comercialização de drogas
Durante operação policial nessa terça-feira, tiros atingiram carros, residências e a fachada de uma igreja Metodista, na Rua São Clemente, em frente à entrada da favela










