Ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes mira 44 investigados ligados ao Comando Vermelho e cumpre mandados de prisão e busca na comunidade da Zona Sul 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vídeo mostra turistas se escondendo durante operação policial no Dona Marta; tiros interrompem visita ao mirante — Foto: Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 10:00 Fotógrafo Ari Kaye vivencia tiroteio em operação policial no RJ O fotógrafo Ari Kaye vivenciou momentos de terror ao registrar um nascer do sol no Mirante Dona Marta, no Rio de Janeiro, quando uma operação policial contra o Comando Vermelho desencadeou um intenso tiroteio. A ação, que visa desmantelar uma estrutura de tráfico de drogas, já dura 22 meses e cumpre mandados de prisão e busca. Kaye relatou o pânico dos turistas e lamentou a violência na cidade que costuma retratar com beleza. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O fotógrafo Ari Kaye, conhecido por registrar paisagens de tirar o fôlego no Rio, presenciou o intenso tiroteio ocorrido no início da manhã desta terça-feira na comunidade Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul da cidade. Ele estava no mirante para fotografar o nascer do sol, mas acabou vivendo momentos de terror. Segundo Ari, a troca de tiros durou cerca de 20 minutos e começou por volta das 5h40. Durante o confronto, turistas e moradores se jogaram no chão em busca de proteção. Nesta terça-feira, a Polícia Civil faz uma operação contra integrantes do Comando Vermelho (CV) na comunidade Dona Marta. Kaye contou que saiu cedo de casa para fotografar o nascer do sol no Mirante Dona Marta, em um trabalho encomendado por um cliente. Quando o tiroteio começou, ele viu turistas se jogando no chão e relata que o cenário foi de desespero generalizado. — Foi uma sensação de pânico. O barulho ecoava muito. Foi assustador, parecia cena de guerra. Escutamos o barulho de granadas, explosões fortíssimas. Nunca tinha vivido isso aqui no Rio. Foram 20 minutos de terror, com as pessoas sem nem saber o que fazer. Você não sabe de onde está vindo o tiro. Eu até me deitei no chão e acabei machucando as costas. Fotógrafo registra tiroteio e turistas deitados no Mirante Santa Marta Segundo o fotógrafo, apesar do desespero dos turistas, os guias que atuavam no local tratavam a situação com naturalidade. — Os guias locais agiam com naturalidade, mas a gente não pode normalizar uma coisa dessas. Um tiroteio absurdo em uma área pequena da Zona Sul. E eu também não fico feliz em postar isso nas minhas redes sociais, até porque costumo viralizar com as coisas bonitas da cidade. Mas acho que a gente tem que falar quando a situação fica mais grave, e o que eu vi foi algo horroroso. Conhecido por seu trabalho retratando as belezas do Rio, Kaye disse que a manhã desta terça-feira ficará marcada em sua memória. — Eu ganho dinheiro mostrando a beleza do Rio, então é muito triste presenciar um dia assim. Depois que o tiroteio diminuiu, consegui fazer a foto do nascer do sol, que estava lindo. Mas essa imagem vai ficar na minha memória como um nascer do sol amargo. Como fotógrafo, que vive da imagem da cidade, é triste mostrar isso, mas é a realidade que estamos vivendo. Ver pessoas assustadas, essa sensação de impotência e a população à mercê dos bandidos provoca uma enorme tristeza. Operação no Dona Marta 1 de 10 A janela do apartamento perfurada por um tiro — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo 2 de 10 Veículos blindados e equipes da Polícia Civil ocupam o entorno do Morro Santa Marta, em Botafogo, durante a ofensiva contra investigados por tráfico de drogas — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Equipes da Polícia Civil se concentram em uma das vias do Morro Santa Marta durante ação para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 4 de 10 A janela estilhaçada pelo tiro — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo X de 10 Publicidade 5 de 10 Agentes da Polícia Civil permanecem posicionados em área da comunidade durante a operação que mira a estrutura do Comando Vermelho no Santa Marta — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 6 de 10 A marca do disparo perto do desenho feito pelo neto do morador — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo X de 10 Publicidade 7 de 10 Policiais civis percorrem um dos acessos do Morro Santa Marta para cumprir mandados expedidos pela Justiça contra investigados ligados ao Comando Vermelho — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 8 de 10 Placa que proíbe o uso de celular é vista em área do Morro Santa Marta durante a operação policial desta terça-feira — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 10 Publicidade 9 de 10 Policiais civis em operação no Dona Marta, em Botafogo — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo 10 de 10 Operação no Dona Marta — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo X de 10 Publicidade Operação desde a manhã A operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) começou nas primeiras horas da manhã e foi acompanhada por intenso tiroteio no Dona Marta. A ação tem como alvo integrantes do Comando Vermelho investigados por atuar na comunidade. Além do passageiro ferido, um grupo de pessoas que havia subido ao Mirante Dona Marta para acompanhar o nascer do sol ficou impedido de deixar o local por causa da troca de tiros. A operação também mobilizou dezenas de viaturas estacionadas na Rua São Clemente e contou com o apoio de helicópteros da Polícia Civil. Disparos no início da manhã Segundo testemunhas, os disparos começaram ainda nas primeiras horas da manhã. Fontes ouvidas pelo GLOBO afirmaram que pelo menos 22 viaturas da Polícia Civil estavam posicionadas na Praça Corumbá, em Botafogo, que estaria sendo utilizada como base da operação para concentração do efetivo e encaminhamento dos presos. Moradores também relataram uma sequência de tiros e explosões, além do sobrevoo de helicópteros policiais. “Foi muito tiro com bomba... loucura. Nunca escutei isso por aqui”, afirmou um morador. Outro disse que “nunca viu uma movimentação assim”. A operação também provocou reflexos no trânsito, com formação de fila de veículos na Rua São Clemente durante a manhã. Investigação de 22 meses De acordo com a Polícia Civil, a ofensiva é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e cumpre ordens judiciais expedidas pela 26ª Vara Criminal da Capital. A investigação, iniciada há cerca de 22 meses, identificou uma estrutura voltada ao tráfico de drogas na comunidade, com atuação de dezenas de integrantes distribuídos em diferentes funções. Ainda segundo a corporação, foram identificados 44 suspeitos ligados ao grupo criminoso. As apurações apontam que a liderança da organização seria exercida por Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9, atualmente preso em um presídio federal de segurança máxima em Mossoró (RN), enquanto Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano, seria responsável por comandar as atividades cotidianas da facção na comunidade. A Polícia Civil informou que o objetivo da operação é cumprir mandados judiciais, desarticular a estrutura da organização criminosa e reunir novos elementos para o avanço das investigações. Mais cedo, a Polícia Militar informou que não realizava operação própria na região. Operação Contenção De acordo com o balanço divulgado pela corporação, a Operação Contenção já resultou na captura de mais de 360 suspeitos e na morte de outros 137 em confrontos, além da apreensão de cerca de 480 armas — entre elas 190 fuzis — e mais de 51 mil munições.