Após a fase de grupos, existe a possibilidade de que a seleção do Brasil jogue em horário comercial Seleção brasileira — Foto: Dylan Martinez/Reuters Com a fase de grupos da Copa do Mundo 2026 chegando às suas partidas finais, existe a possibilidade de que a Seleção brasileira passe a jogar dentro do horário comercial na segunda fase do campeonato. Assim, uma dúvida se cria no ambiente de trabalho: assistir ao jogo pode causar problemas para o funcionário? Para o advogado especialista em direito trabalhista e sócio da Advocacia Maciel, Pedro Maciel, a resposta não é tão simples, mas também não deve causar grandes problemas. “Se assistir a um jogo causasse uma demissão, seria algo muito extremo, ainda mais se a demissão fosse por justa causa”, avalia Maciel. O especialista explica que punições em ambiente de trabalho devem acontecer de forma proporcional ao erro e deve escalar com base na reincidência do problema. “Na justiça do trabalho, existe a gradação de pena. Então, vamos supor que uma pessoa que nunca teve nenhum problema começa a ver o jogo no meio do trabalho pelo YouTube. Se o chefe quisesse demiti-la, ele estaria equivocado. A pessoa em questão poderia receber uma advertência ou algo nesse sentido”, explica. Para os funcionários que cumprem home office, Maciel explica que não há como a empresa supervisionar se o trabalhador está ou não assistindo os jogos na televisão durante o expediente, mas que caso os dispositivos utilizados pelo empregado sejam de propriedade da companhia, então é possível bloquear o acesso a determinados sites, como o YouTube, por exemplo. Ainda assim, o especialista acredita que a flexibilização de horários e acordos entre funcionários e chefes sejam as alternativas mais adequadas para a Copa do Mundo. “Não há uma previsão legal que obrigue a empresa a liberar os trabalhadores para ver o jogo, mas, como o futebol é quase uma religião no país, normalmente os jogos do Brasil tendem a virar ponto facultativo ou ter o horário liberado”, comenta Maciel. Jogo do Brasil garante folga? A advogada Juliana Mendonça, especialista em Direito e Processo do Trabalho e sócia do escritório Lara Martins Advogados, disse ao Valor, em reportagem publicada em 13 de junho, que governos podem decretar ponto facultativo em determinados dias de partidas, mas a medida só atinge órgãos públicos. "O ponto facultativo vale para a administração pública. As empresas privadas não são obrigadas a seguir essa determinação, salvo se houver previsão em acordo ou convenção coletiva firmada entre o empregado e o empregador", explicou. Caso a empresa decida liberar os funcionários para assistir aos jogos, é possível exigir a compensação das horas não trabalhadas por meio do banco de horas.
Posso ser demitido por assistir aos jogos da Copa 2026 no trabalho?
Após a fase de grupos, existe a possibilidade de que a seleção do Brasil jogue em horário comercial














