Planejamento de evacuação prevê o uso de rotas temporárias pela passagem marítima 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Navio militar transita pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico — Foto: Sahar AL ATTAR / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 18:25 ONU Anuncia Plano de Evacuação para Marinheiros no Estreito de Ormuz A ONU, por meio da Organização Marítima Internacional (OMI), anunciou um plano de evacuação para mais de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz devido à guerra no Oriente Médio. A operação envolve colaboração entre Irã, Omã, Estados Unidos e outros países, visando garantir segurança na navegação e desmantelar minas marítimas. As negociações de paz entre EUA e Irã, mediadas por Paquistão e Catar, avançam, mas divergências sobre inspeções nucleares permanecem. O acordo busca normalizar o tráfego no estreito, essencial para o comércio global de hidrocarbonetos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A evacuação de mais de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz pela guerra no Oriente Médio começou nesta terça-feira, mas persistem divergências entre Irã e Estados Unidos, especialmente sobre o programa nuclear iraniano. A Organização Marítima Internacional (OMI), agência especializada da ONU, anunciou um plano de evacuação para os mais de 11 mil marinheiros que seguem bloqueados na região do Estreito de Ormuz. O planejamento se faz necessário uma vez que a Guarda Revolucionária Islâmica teria instalado diversas minas marítimas na travessia para tentar impedir o trânsito de embarcações. "Essa operação de grande escala será realizada em estreita colaboração com Irã, Omã, os demais Estados ribeirinhos da região, os Estados Unidos e o setor marítimo", declarou o secretário-geral da OMI, o panamenho Arsenio Domínguez. "Obtivemos as garantias de segurança necessárias e verificamos minuciosamente as condições para a navegação segura, a fim de apoiar essas operações". Na semana passada, Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento (MoU) para interromper uma guerra que deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia global. O memorando estabeleceu as bases para as negociações que começaram no domingo na Suíça, com a mediação do Paquistão e do Catar. O objetivo é chegar a um acordo final em 60 dias prorrogáveis, sobre questões como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã. Arsenio Domínguez saudou com entusiasmo a assinatura do documento. — Após meses de dificuldades e sofrimento para milhares de marinheiros inocentes e repercussões negativas para o mundo inteiro, saúdo profundamente o acordo de paz, que representa um passo decisivo para restaurar a segurança marítima e pôr fim aos ataques inaceitáveis contra a navegação civil — declarou o líder panamenho. O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz começou a aumentar desde que o Irã e os Estados Unidos concordaram, na semana passada, em reabrir a importante rota de navegação como parte de um acordo que visa encerrar a guerra. De acordo com um Aviso aos Navegantes emitido por Omã e facilitado pela OMI, o plano de evacuação prevê o uso de duas rotas temporárias pelo estreito, e as embarcações serão contatadas individualmente para receberem instruções adicionais. Arsenal iraniano inclui minas navais projetadas para flutuar na água ou permanecer ancoradas no fundo raso do Golfo Pérsico — Foto: Arte / O Globo Negociações pela paz Na terça-feira, o Irã confirmou que as negociações técnicas foram concluídas e anunciou a criação de quatro grupos de trabalho para tratar dessas questões. No entanto, refutou as declarações do vice-presidente dos EUA, JD Vance, negando que seu governo tivesse concordado em convidar inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para monitorar as instalações nucleares bombardeadas pelas forças israelenses e americanas durante a guerra de 12 dias em junho de 2025. — Não tivemos nenhuma reunião com o diretor-geral da AIEA, nem prevemos que a agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas pela agressão militar dos EUA e de Israel — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu que o Irã aceitou "plena e completamente" permitir inspeções nucleares "no mais alto nível". "Com base nisso e em outras concessões importantes feitas pelo Irã, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, sem qualquer outro bloqueio naval", escreveu Trump em sua rede social, Truth Social. O principal negociador iraniano advertiu que a circulação pelo estratégico Estreito de Ormuz — por onde passavam 20% das exportações globais de hidrocarbonetos antes da guerra — não voltará a ser como antes. — A administração do Estreito de Ormuz nunca voltará a ser o que era antes da guerra — afirmou Mohammad Bagher Ghalibaf, negociador-chefe iraniano e presidente do Parlamento. Por sua vez, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou na terça-feira que, sem seus mísseis, seu país teria acabado "exatamente como Gaza" e insistiu que seu programa de mísseis balísticos é inegociável. — Se não tivéssemos os mísseis que temos para nossa defesa, Israel e os Estados Unidos teriam arrasado o Irã como fizeram com Gaza, sem piedade nem de idosos nem de jovens — destacou ele durante uma visita ao Paquistão, um mediador fundamental nas negociações entre Teerã e Washington. — Nunca negociaremos com ninguém, sob nenhuma circunstância, em relação às nossas capacidades defensivas. Encontros diplomáticos Ao chegar aos Emirados Árabes Unidos, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ressaltou que "nenhum país tem o direito de cobrar pedágios ou taxas em uma via navegável internacional". Os Emirados são a primeira etapa de uma viagem de Rubio pelos países do Golfo para demonstrar solidariedade a aliados afetados pela guerra. Pezeshkian, e o chanceler Abbas Araghchi viajaram ao Paquistão, segundo a imprensa estatal. A rodada de negociações no complexo de luxo de Bürgenstock, na Suíça, alimentou esperanças de uma solução duradoura para o conflito e contribuiu para a queda dos preços do petróleo. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que suspendeu sanções ao Irã para permitir a produção, venda e fornecimento de petróleo e derivados até meados de agosto. Como parte do acordo, Washington aceitou liberar US$ 12 bilhões (R$ 62 bilhões) em ativos iranianos congelados, informou a agência iraniana Mehr. JD Vance afirmou que os recursos ainda não foram desbloqueados, mas que, se isso ocorrer, deverão ser usados apenas para a compra de produtos americanos, como soja, e não para financiar atividades "terroristas". Ainda assim, o embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini, declarou que o Irã será "o único país" a decidir o destino desses recursos. Frente libanesa O memorando de entendimento estabelece o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo no Líbano, uma das principais exigências de Teerã. O país foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março pelo Hezbollah, que agiu em defesa do Irã quando a República Islâmica foi atacada por EUA e Israel. Embora os combates no Líbano tenham diminuído após a declaração de um novo cessar-fogo, soldados israelenses mataram duas pessoas na terça-feira que "estavam perto de uma escavadeira" em uma estrada no sul do país, segundo a imprensa estatal. Os disparos ocorreram enquanto era aberta em Washington uma quinta rodada de negociações diretas entre Israel e Líbano, à qual o Hezbollah se opõe. O grupo xiita denunciou uma "violação flagrante" do cessar-fogo e exigiu a retirada total das tropas israelenses dentro de um calendário definido. (Com AFP e New York Times)
Entenda plano para liberar Estreito de Ormuz e retirar 11 mil marinheiros retidos no Golfo Pérsico
Planejamento de evacuação prevê o uso de rotas temporárias pela passagem marítima














