Quando Fatih Akin aceitou dirigir "Uma Infância Alemã", filme sobre um menino de família nazista baseado na infância do ator alemão Hark Bohm, seu amigo, ele não se sentia muito conectado à história. Essa herança não pertencia a ele, pensava o diretor de origem turca —mas mudou de ideia após as filmagens. "Sou responsável por tudo que os humanos fazem com outros humanos. Isso é o que aprendi", diz.

O tema não era exatamente estranho a Akin. Crescido em Hamburgo, ele se tornou um rosto conhecido do cinema independente alemão após vencer o Urso de Ouro do Festival de Berlim com "Contra a Parede", em 2004 e, principalmente, o Globo de Ouro de filme estrangeiro em 2017 por "Em Pedaços", história sobre uma imigrante turca que quer se vingar dos neonazistas que assassinaram seu filho e marido.

"Todos os meus filmes falam de 'outsiders', de refugiados, de pessoas que deixam seu país para começar em outro lugar", diz Akin no terraço de um hotel na Croisette, durante o Festival de Cannes, onde "Uma Infância Alemã" foi exibido fora de competição no ano passado. Em comum, suas histórias investigam como essas pessoas redefinem a própria identidade quando já não pertencem ao lugar de partida ou destino.