Abelardo de la Espriella vence eleição e direita volta a assumir poder na ColômbiaCampanha foi polarizada e o atual presidente Gustavo Petro não conseguiu eleger um sucessor da esquerda. Crédito: AFPGerando resumoO candidato de esquerda à presidência da Colômbia, Iván Cepeda, pediu nesta segunda-feira, 22, “calma” a seus apoiadores após os protestos contra a vitória de Abelardo de la Espriella, da direita populista. Cepeda também exigiu que o presidente eleito não o ameace.PUBLICIDADEEm um dos segundos turnos mais apertados da história do país, Cepeda perdeu para o advogado milionário conhecido como “El Tigre” na apuração preliminar no domingo, 21, por menos de um ponto percentual.Após a vitória do jurista de 47 anos, apoiado por Donald Trump, milhares de pessoas saíram às ruas em Bogotá e Cali, onde queimaram bandeiras dos Estados Unidos e entraram em confronto com a tropa de choque.“Meu apelo é para que mantenhamos a calma e a tranquilidade, porque essa é a nossa postura”, disse Cepeda em entrevista coletiva em Bogotá. “Mantenhamos neste momento um comportamento exemplar nesse sentido”, acrescentou o senador e defensor dos direitos humanos de 63 anos. Cepeda reiterou que reconhecerá o resultado apenas após a apuração final, que pode levar alguns dias.PublicidadeO candidato à presidência da Colômbia, Iván Cepeda Foto: Raul Arboleda/AFPDe la Espriella, que governará de 7 de agosto até 2030, conquistou apoio com um discurso contundente contra a esquerda, que chegou ao poder pela primeira vez com o atual presidente, Gustavo Petro.Durante a campanha, ele chegou a afirmar que iria “estripar” o “câncer” da esquerda, em um país onde a perseguição a essa corrente política exterminou milhares de militantes, entre eles o pai de Cepeda. Manuel Cepeda, político comunista, foi assassinado em 1994 por agentes do Estado em aliança com paramilitares de extrema direita.Iván Cepeda rejeitou as declarações feitas por De la Espriella no domingo, classificando-as como “desrespeitosas”. Diante de milhares de apoiadores em Barranquilla, o presidente eleito ameaçou o adversário caso ele viesse a “estimular a violência”. “Doutor Cepeda, o senhor já sabe o quão forte o tigre morde. E digo mais: o tigre ainda pode morder mais forte do que mordeu nas urnas”, afirmou sob aplausos. PublicidadeCepeda respondeu nesta segunda-feira: “Que ele não nos ameace. Digo isso com toda clareza. Temos uma longa história de resistência e somos muito calejados. Derrotamos muitos governos autoritários, muitos políticos violentos. Portanto, que não venha nos ameaçar. Não nos assustam nem seus rugidos nem seus gritos”, disse.Em seus discursos de campanha, geralmente atrás de um vidro à prova de balas, De la Espriella prometeu mão dura contra o crime e o narcotráfico. Ele acusa o atual presidente, Gustavo Petro, de ser um “chefe da máfia” devido ao fortalecimento dos grupos armados com os quais tentou negociar a paz e afirma estar disposto a extraditá-lo para os Estados Unidos.Leia tambémEsquerda X direita: mapa mostra como fica a América do Sul após eleições na Colômbia e no PeruUribe é alvo de nova investigação na Colômbia por suposta relação com grupos paramilitaresTrump suspende sanções ao petróleo do Irã em meio a negociações por acordo de paz‘Fragmentação violenta’ Petro, de esquerda, alertou nesta segunda-feira que a Colômbia está “à beira do abismo da fragmentação violenta” devido à polarização. Nas ruas, manifestantes, principalmente jovens, defendem os programas sociais promovidos pelo presidente em benefício das comunidades mais pobres e marginalizadas.Em relação a conflitos, especialistas alertam para uma possível espiral de violência diante da resposta que grupos armados poderiam dar à ofensiva militar proposta por De la Espriella. O presidente eleito pretende combater essas organizações ao lado dos Estados Unidos, cujo governo manifestou apoio à sua vitória no domingo.PublicidadeA Colômbia conseguiu reduzir a violência do conflito armado interno após o acordo de paz assinado com a guerrilha das Farc em 2016, mas a tranquilidade durou poucos anos.Diversos grupos guerrilheiros que não aderiram ao acordo, além de paramilitares e organizações do narcotráfico, continuam operando com recursos provenientes da cocaína e da mineração ilegal de ouro.“Aqueles que semearam violência, terror, narcotráfico e corrupção durante todos esses anos: seu tempo acabou”, advertiu De la Espriella. / AFP
Candidato de esquerda na Colômbia pede ‘calma’ após protestos contra vitória da direita
Iván Cepeda perdeu eleição presidencial para o milionário Abelardo de la Espriella na apuração preliminar no domingo, 21, por menos de um ponto percentual













