Cessar-fogo entre o grupo xiita e as forças israelenses vinha sendo amplamente respeitado desde domingo; mortes são as primeiras no território libanês em três dias Pessoas inspecionam carros destruídos após um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah na vila de Maifadoun, no sul do Líbano, na segunda-feira, 22 de junho de 2026 — Foto: AP/Mohammed Zaatari Tiros disparados por Israel mataram duas pessoas no sul do Líbano nesta terça-feira (23), informaram a Defesa Civil libanesa e a imprensa estatal. São as primeiras mortes atribuídas a disparos israelenses no Líbano em três dias. Um cessar-fogo entre o grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, e as forças israelenses no sul do Líbano tem sido amplamente respeitado desde domingo, na pausa mais longa até agora da guerra que se espalhou para o país a partir do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Soldados israelenses abriram fogo contra um grupo de pessoas próximo a uma escavadeira que trabalhava na desobstrução de uma estrada no bairro de Al-Deir, em Nabatieh al-Fawqa, no sul do Líbano, informou a agência estatal libanesa NNA. Os militares israelenses disseram ter atingido “terroristas armados que representavam uma ameaça imediata” aos soldados na região da colina Ali al-Taher, no sul do país, dentro de uma área que as forças israelenses classificam como uma “zona de segurança”. Não ficou imediatamente claro se os dois relatos se referiam ao mesmo incidente. O Hezbollah afirmou que o incidente constituiu uma violação do acordo de cessar-fogo entre as duas partes e condenou os disparos, que mataram duas pessoas e feriram outras. O grupo não informou se tomaria medidas de retaliação O Irã insistiu para que Israel suspendesse as operações militares no Líbano como parte de um acordo provisório assinado com os Estados Unidos na semana passada. Questionado sobre o episódio mais recente, o embaixador iraniano junto às Nações Unidas em Genebra, Ali Bahreini, disse a jornalistas que qualquer violação do memorando de entendimento relacionado ao Líbano criaria obstáculos às negociações de paz. “O Líbano é uma parte incontestável do acordo, e tudo o que acontece no Líbano afeta todo o processo. Cabe aos Estados Unidos usar toda a sua influência sobre Israel para fazê-lo interromper os ataques contra o Líbano”, afirmou. Um comunicado conjunto divulgado na segunda-feira, ao fim das negociações entre EUA e Irã mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, na Suíça, informou que as partes concordaram em criar uma “célula de coordenação” para garantir o cumprimento do fim das hostilidades no Líbano. As forças israelenses continuam posicionadas em áreas profundas do sul do Líbano, após terem invadido a região durante sua ofensiva contra o Hezbollah. A rodada mais recente de hostilidades começou em 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio a Teerã, no segundo dia da guerra entre EUA, Israel e Irã. Os ataques israelenses no Líbano já mataram mais de 4.100 pessoas, incluindo 773 mulheres, crianças e profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde libanês. O balanço não especifica quantos combatentes estão entre os mortos. Os ataques também forçaram cerca de 1,2 milhão de pessoas a deixarem suas casas no Líbano, de acordo com as autoridades do país. Do lado israelense, a atual rodada de confrontos com o Hezbollah deixou pelo menos 32 soldados e quatro civis mortos. Por insistência do Irã, o acordo provisório assinado com os Estados Unidos na semana passada exige que Washington, Teerã e seus aliados declarem o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou na segunda-feira que as tropas têm total liberdade de ação para neutralizar qualquer ameaça direta ou potencial do Hezbollah contra os militares israelenses ou cidadãos do país e que permanecerão no Líbano “pelo tempo que for necessário”.
Ataques de Israel matam duas pessoas no Líbano, e Hezbollah alega violação da trégua
Cessar-fogo entre o grupo xiita e as forças israelenses vinha sendo amplamente respeitado desde domingo; mortes são as primeiras no território libanês em três dias













