No século 19, Jean-Baptiste Lamarck postulou que características adaptativas adquiridas pelos organismos ao longo da vida poderiam ser transmitidas aos seus descendentes. O exemplo mais célebre associado à sua teoria é o das girafas: o uso repetido do pescoço para alcançar folhas mais altas teria provocado seu alongamento, característica que seria então herdada pelos filhotes.

Essa noção perdeu força com a paulatina consolidação da teoria da seleção natural de Darwin, segundo a qual as populações apresentam variações hereditárias e os indivíduos mais adaptados ao ambiente têm maior probabilidade de sobreviver, reproduzir-se e transmitir seus traços às gerações seguintes.

Nos últimos anos, porém, algumas descobertas têm reabilitado, em parte, certas intuições lamarckianas por meio da epigenética –área que investiga modificações químicas capazes de regular a atividade dos genes sem alterar a sequência do DNA. Fatores ambientais como alimentação, estresse, toxinas e exercício físico podem induzir essas alterações. O aspecto mais intrigante é que algumas delas parecem, em determinadas circunstâncias, ser transmitidas às gerações seguintes, influenciando o metabolismo, o comportamento e a predisposição a doenças.