Projeto prevê terminal para contêineres, grãos, minérios e combustíveis A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) articula a criação de um porto privado offshore no canal do Quiriri, que conecta o estuário do rio Pará e a baía de Marajó com o oceano Atlântico, na proximidade da ilha dos Guarás. O projeto ainda está em desenvolvimento, mas segundo a entidade, há interesse de empresas como tradings agrícolas e mineradoras. Sua área de influência contempla a Margem Equatorial, o que pode atrair petroleiras. “Precisamos expandir os portos existentes e de um novo porto multipropósito”, afirma Rui Lourenço, presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado do Pará (Sindopar). “O poder público não tem capacidade financeira de realizar esses investimentos. A expansão terá que vir do setor privado”, completa Kleber Menezes, CEO da Brick Logística. O projeto será apresentado às autoridades após o término de estudos de viabilidade. “Pretendemos colocar na agenda do próximo governo”, afirma Alex Dias Carvalho, presidente da Fiepa. O porto ocuparia um local com calado natural de 25 metros de profundidade - permitindo a atracação do Valemax, maior graneleiro do mundo -, seria exclusivamente fluvial e teria cais para barcaças e contêineres, píeres para minérios, grãos e combustíveis e área de estocagem de mercadorias. Segundo o Sindopar, no dia 13 de maio o line up do Porto de Vila do Conde registrava 31 navios que à espera para atracar há mais de 15 dias - e alguns já estavam na fila há 30 dias. “A diária de um navio fundeado é de US$ 30 mil”, diz Lourenço. “É um valor pago pelo embarcador, mas que, em última instância, é arcado pelo consumidor.” No dia 23 de maio, o navio Strait Pearl zarpou de Vila do Conde com 45 mil toneladas de ferro gusa, após 36 dias de espera até realizar o carregamento. “A espera gera um prejuízo muito grande para o exportador”, diz Carlos Pinto, diretor comercial da Matapi Multimodal, empresa responsável pela operação logística da carga, da retirada no fabricante em Marabá (PA) ao embarque no navio. “Não é de espantar que muitas empresas paraenses prefiram encaminhar suas cargas pelos portos do Maranhão”, afirma.