O Irão anunciou, nesta terça-feira, a conclusão das negociações técnicas realizadas na Suíça com os Estados Unidos, numa etapa que abre caminho a uma nova fase do diálogo entre os dois países. Foram criados quatro grupos de trabalho para tratar dos temas considerados centrais, e responsáveis iranianos destacam avanços em matérias como o levantamento de restrições económicas, a venda de petróleo e a libertação de activos financeiros congelados. Domingo e segunda-feira não se registaram violações do espaço aéreo no Líbano, mas Israel mantém a presença de tropas e está pronto a atacar se necessário.Depois desta fase, e de acordo com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, as futuras rondas de negociação serão acompanhadas por um comité de alto nível que reunirá o presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Teerão Abbas Araghchi, o vice-presidente norte-americano J.D. Vance e ainda os primeiros-ministros do Qatar e do Paquistão. Ainda não é conhecida uma data para o próximo encontro.De Bürgenstock surgiram quatro grupos especializados: um responsável pela suspensão das sanções norte-americanas, outro pelo programa nuclear iraniano, um terceiro pela reconstrução e desenvolvimento económico e um pelo acompanhamento e implementação dos compromissos alcançados, todos coordenados pelo referido comité, avança a Al Jazeera.Um dos resultados mais relevantes anunciados por Teerão foi o desbloqueio de fundos iranianos congelados no estrangeiro. Gharibabadi afirmou ter sido acordada a libertação imediata de 12 mil milhões de dólares, correspondentes a cerca de 10,5 mil milhões de euros. Também na área energética surgiram sinais de aproximação. A agência Lusa adianta que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma licença temporária, válida durante 60 dias, permitindo a produção, venda, transporte e importação de petróleo bruto, produtos petroquímicos e outros derivados iranianos até 21 de Agosto.Como analisado pela Al Jazeera, esta decisão representa uma alteração significativa na política norte-americana. Apesar de o Irão ter continuado a exportar petróleo ao longo dos anos, fazia-o com fortes descontos devido ao receio dos países compradores de sofrerem retaliações dos EUA. Agora, acrescenta a estação televisiva, Teerão poderá comercializar o petróleo a preço de mercado, o que deverá traduzir-se em centenas de milhões de dólares adicionais para a economia iraniana.As autoridades norte-americanas continuam, contudo, a condicionar o levantamento de outras sanções ao cumprimento das metas previamente acordadas por Teerão. Nomeadamente, e de acordo com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos Scott Bessent, que o Irão garanta a livre circulação no estreito de Ormuz e permita o regresso dos inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica ao país, acrescenta a Lusa. O número dois de Trump, J.D. Vance, classificou estes resultados como sendo “progressos muito bons”.Mas se há algo a que os contactos diplomáticos entre Teerão e Washington nos habituaram é que tudo é aberto a interpretações. Vários responsáveis iranianos contestaram afirmações recentes de Donald Trump, incluindo referências à autorização das inspecções nucleares e à eventual utilização dos fundos desbloqueados para a compra de produtos agrícolas norte-americanos, lê-se na Reuters. Pezeshkian relembrou que declarações fora do texto negociado não contribuem para o avanço do processo.As autoridades iranianas insistem também que o estreito de Ormuz continuará sob o seu controlo. Ghalibaf afirmou que a situação na importante rota marítima não voltará a ser a mesma de antes do conflito com Israel e os Estados Unidos. A Al Jazeera cita ainda o responsável iraniano, que declarou que “todos devem saber que a administração do estreito nunca voltará a ser como era antes da guerra”. Ainda assim, garantiu que o Irão respeitará as normas internacionais.O descontentamento dos norte-americanos face à situação negocial com o Irão (por acreditarem que houve cedências em demasia) já tinha sido noticiado. Mas também Ghalibaf tem recebido críticas internas sobre a decisão de estabelecer conversações com os EUA. Nesta terça-feira, defendeu, numa publicação no X, que a deslocação da delegação a território suíço foi necessária, já que se não tivesse acontecido “mais sangue dos muçulmanos e dos xiitas do Líbano teria sido derramado”.
Petróleo, sanções e Ormuz: Irão e EUA dão sinais de aproximação e criam quatro grupos de trabalho
As conversações na Suíça abriram uma nova fase de diálogo entre Teerão e Washington. Há progressos sobre o petróleo, os fundos congelados e um estreito de Ormuz “que nunca mais será o mesmo”.












