Piora na relação entre os presidentes Lula e Trump e ambiente político mais contaminado tanto no Brasil como nos EUA dificultam avanços, mas parte do governo quer pressionar por busca de solução mais célere enquanto outros setores defendem priorizar qualidade da negociação, mesmo que faça demorar mais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sem clima, Lula e Trump não se reuniram após anúncio de segundo tarifaço, mesmo com ida do brasileiro ao G7 — Foto: Evaristo Sa e Jim Watson/ AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 20:31 Brasil dividido sobre resposta a "tarifaço" dos EUA sob Trump O governo brasileiro está dividido sobre como lidar com o novo "tarifaço" imposto pelos EUA sob a administração Trump. Enquanto o Ministério do Desenvolvimento busca reverter rapidamente as tarifas para evitar impactos negativos, setores dos Ministérios das Relações Exteriores e da Fazenda defendem priorizar a qualidade das negociações, mesmo que demorem mais. A tensão política entre Lula e Trump complicou as relações, e as tarifas, que podem chegar a 37,5%, ameaçam a produção nacional. O governo brasileiro contesta as alegações americanas e considera usar a Lei da Reciprocidade Econômica para responder. Uma decisão final dos EUA é esperada até 15 de julho de 2026. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com o novo Tarifaço sinalizado pela administração Donaldo Trump, o governo brasileiro tem oscilado entre duas teses de condução das negociações com os americanos: uma ala, liderada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), considera que é preciso tentar reverter rapidamente a medida para evitar os severos impactos sobre as empresas. Outra, na qual estão setores dos ministérios das Relações Exteriores e da Fazenda, considera que o ambiente na política internacional está muito contaminado, com Trump claramente dando sinais de querer influenciar na campanha eleitoral do Brasil e que, nesse contexto, a leitura é que a prioridade deve ser a qualidade da negociação, mesmo que isso implique o processo se alongar até o fim do ano. A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a reunião do G7 não trouxe qualquer evolução para o processo negocial. Sem uma reunião bilateral entre ele e Trump e claramente com um clima bem mais distante do que no encontro realizado no mês passado nos EUA, dado o anúncio de que os americanos devem taxar o Brasil duas semanas após o encontro, o cenário se mostra bastante complexo. Embora seja unanimidade que as tarifas adicionais de 25%, que podem chegar a 37,5%, vão prejudicar a produção nacional, a ala que defende priorizar a qualidade da negociação avalia que é possível aguentar os próximos cinco meses. A ideia desse grupo não é que se abandone a mesa de discussões, ao contrário. Mas a lógica é que se opere com cautela e sem demonstrar pressa em um ambiente mais contaminado por fatores que empurram a administração Trump para uma postura mais dura - as eleições brasileiras, em outubro, e as de meio de mandato nos EUA, em novembro. Após esse período, haveria mais clareza para um sucesso maior nas negociações. Procurado, o MDIC disse que os responsáveis pelas negociações atuam de forma unânime e sem qualquer divergência. "O governo brasileiro atua de modo a fazer prevalecer o interesse nacional", disse a pasta. Itamaraty e Fazenda não retornaram. O atual embate comercial entre Brasil e Estados Unidos começou em 2 de junho de 2026, quando o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciou a conclusão da investigação aberta contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio americana. O documento questionou políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico como o Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e questões ambientais, que supostamente configurariam práticas “irrazoáveis” ou que restringiriam o comércio americano. Foi estabelecido o prazo de um mês para que o tarifaço efetivamente se materialize de 25%, mas que pode subir mais por conta de acusações de leniência com o trabalho escravo. Apesar da proposta de sobretaxa, os Estados Unidos excluíram uma série de produtos considerados estratégicos ou cuja taxação poderia gerar impactos relevantes para a própria economia americana. Entre os itens poupados estão café, carne bovina, fertilizantes, terras raras, determinados minérios, produtos farmacêuticos, petróleo, aeronaves e peças aeronáuticas. O governo brasileiro reagiu defendendo a continuidade das negociações e argumentando que muitas das alegações americanas carecem de fundamento econômico. Ao mesmo tempo, manteve sobre a mesa a possibilidade de utilização da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso justamente para responder a medidas consideradas discriminatórias por parceiros comerciais. Uma decisão final dos Estados Unidos até 15 de julho de 2026, data a partir da qual a nova tarifa poderá efetivamente entrar em vigor.