Moocaires, união dos nomes do bairro e da capital argentina, tem recebido cada vem mais torcedores que trocaram o verde e amarelo pelo azul celeste 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Moocaires, bar da Mooca, em São Paulo, reúne brasileiros e argentinos que torcem pela seleção de Messi — Foto: Edilson Dantas / O Globo Criado por argentinos, administrado por argentinos e reduto de argentinos que moram ou passam por São Paulo, o bar Moocaires — união dos nomes Mooca e Buenos Aires — tem recebido cada vez mais torcedores brasileiros que trocaram o verde e amarelo pelo azul celeste e branco. Esses torcedores são facilmente reconhecidos pelo sotaque, afinal as músicas características dos "hinchas" são cantadas ali com o tradicional sotaque "macarrônico" da Mooca. — Pô, meu. Aí, não, Messi. Bate forte, pô. Mas ele tem crédito com a galera — afirmou Elivelton Silva, de 33 anos, um "argentino de Guarulhos", quando o camisa 10 perdeu um pênalti contra a Áustria, pela segunda rodada da Copa do Mundo, nesta segunda-feira (22), jogo que acabou 2 a 0 para os argentinos. — Eu sou argentino da divisa de São Paulo com São Bernardo — brinca o corretor de seguros Renato Coudes, de 51 anos, torcedor dos hermanos desde 1998. Para ele, depois que a Copa da França "foi comprada", não tem mais sentido torcer para a seleção brasileira. Com isso, "perdeu" o penta, em 2002. — Não faz falta, pois vi o tri (argentino) em 2022 e este ano vamos ver o tetra — diz o paulistano que, ao contrário de outros torcedores no Moocaires, deixou de torcer apenas para a "seleção da CBF". – Torço para o (João) Fonseca no tênis, torço para o Brasil no vôlei e no basquete. Só para o futebol que não – afirma Coudes, enquanto ouvia um "não" de desaprovação vindo da turma que acompanhava o jogo no bar da Mooca. Fundado em 2007, o Moocaires ganhou fama sete anos depois, quando os primeiros "argentinos-brasileiros" passaram a acompanhar os jogos da seleção de Messi ali. Após a final de 2014, vencida pela Alemanha, moradores dos arredores aproveitaram a tristeza local para provocar os então vice-campeões. Houve princípio de confusão e a polícia precisou ser chamada. De lá para cá, pouca coisa mudou. Exceto pela polícia, os mooquenses que não veem a torcida de brasileiros por outra seleção com bons olhos passam e gritam palavras provocativas. Nas redes sociais, a situação é comum. – Eu não ligo. Podem falar o que quiserem. A nossa seleção tem muito mais garra e muito mais união que a deles — diz o brasileiro Guilherme Pereira, 34, torcedor, claro, da Argentina, desde 2010. Além do Moocaires, o posto de combustíveis da frente, instalado na Rua da Mooca, também passou a ser tomado pelo público dos jogos. Com direito a telão, sósias de Felipão e Cristiano Ronaldo curtem a bagunça com a galera que não topa pagar R$ 100 reais para entrar no Moocaires em dias de jogos da Argentina. O valor da entrada dá direito a seis tickets que podem ser trocados por cerveja, empanadas (feitas pelo próprio bar) ou choripán. No bar dos argentinos, os brasileiros adeptos da seleção azul celeste também precisam se adaptar à culinária local. – Nesse caso eu ficaria mais satisfeito com nosso famoso e paulistano espetinho "de gato" – brinca Pereira.
Sotaque portunhol da Mooca: bar de SP vira reduto de paulistanos que torcem para a Argentina — e rejeitam a seleção brasileira
Moocaires, união dos nomes do bairro e da capital argentina, tem recebido cada vem mais torcedores que trocaram o verde e amarelo pelo azul celeste
Bar Moocaires na Mooca (SP) virou reduto de tifosos brasileiros que abandonaram a seleção nacional pelo projeto argentino. Fenômeno sinaliza crise de confiança na CBF; tifosos apontam decadência competitiva desde 2002 como catalisador da mudança.













