No país onde o fim da escala 6x1 é tratado como heresia por setores da economia, ameaça aos empregos e ao crescimento do país, os homens da lei e da Justiça deitam e rolam com seus 60 dias de férias, fora os recessos, as licenças, as benesses e tudo o mais que a criatividade permitir.

É no Congresso, onde os recessos somam 55 dias por ano e parlamentares comparecem, basicamente, nas terças e quartas-feiras, que está o destino de quem labuta de segunda a sábado.

No mundo dos privilégios, as cores são tão sortidas que há até quem se esqueça deles. Em entrevista à Folha, o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, que trabalha há 12 anos na corte, disse que só tinha 30 dias de férias. Corrigido pela reportagem, admitiu que tinha 60 dias, mas que se enganou porque costuma tirar, no máximo, cerca de 20 dias de descanso.

Na realidade, Vital se referia a seu recesso. Os 60 dias de férias seguem intactos em seu contracheque, que ele pode tirar ou guardar para a aposentadoria. À queima-roupa, Vital disse que, se pudesse, acabaria com o benefício, que considera uma "generosidade excessiva".

Na contramão desse raciocínio, porém, o que se vê são juízes e integrantes do Ministério Público mexendo com as próprias regras, para parcelar o descanso de 60 dias, fracionando esse tempo em até 12 vezes. Com cotas de cinco dias, é possível juntar dois fins de semana. São nove dias de pernas para o ar. Desconta-se apenas cinco.