Comerciantes de café apostam que a safra recorde do Brasil aliviará a crise de oferta global, mas os agricultores do maior produtor mundial não têm pressa em vender os grãos, reduzindo a oferta nos países consumidores.
O Brasil deverá colher um recorde de 75,3 milhões de sacas na safra atual, enquanto os estoques nos armazéns das Bolsas dos EUA e da Europa estão no nível mais baixo desde março de 2024. Essa dinâmica tem alimentado a volatilidade no mercado futuro, à medida que os operadores equilibram as expectativas de uma safra recorde com a persistente escassez e um ritmo de vendas dos produtores mais lento do que o esperado.O contrato de arábica para julho foi negociado com um prêmio de cerca de US$ 0,10 (R$ 0,51) por libra em relação ao de setembro na segunda-feira, um dos sinais mais claros de que a oferta com entrega mais rápida continua escassa.
Os produtores normalmente vendem parte da produção futura antecipadamente para ajudar a cobrir os custos de produção e também para se protegerem de oscilações negativas de preços. Mas eles não precisam vender muita oferta antecipadamente este ano, já que lucraram significativamente com as recentes altas do mercado.
Os contratos futuros de café arábica vinham subindo constantemente desde meados de 2023 e atingiram picos históricos duas vezes, acima de US$ 4 por libra, no ano passado. Os preços agora caíram cerca de 40% em relação a esses níveis, oferecendo pouco incentivo para vender."Os ventos estão soprando a favor dos agricultores", que "não se sentem pressionados" a começar a vender seu café, disse Simão Pedro de Lima , diretor executivo da Expocacer, uma cooperativa do Cerrado Mineiro.









