Autoridade libanesa diz que praticamente não houve ataques desde o fim da tarde de sábado Veículos militares israelenses trafegam em uma estrada israelense perto da fronteira entre Israel e Líbano , no norte de Israel, em 18 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Gil Eliyahu O cessar-fogo foi amplamente mantido no Líbano nesta segunda-feira (22), enquanto o país vivia o período mais longo de calmaria nos três meses de guerra entre o Hezbollah e Israel. Ainda assim, o temor de uma retomada das hostilidades continua impedindo que muitos deslocados voltem para suas casas. Uma alta autoridade de segurança libanesa afirmou que o cumprimento do cessar-fogo tem sido “quase total” desde a noite de sábado. No entanto, a autoridade relatou que um tanque israelense disparou projéteis contra uma aldeia próxima a Tiro e que forças israelenses lançaram bombas de efeito moral em outros dois locais na segunda. Um drone israelense também sobrevoou Beirute. A guerra colocou à prova o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito regional, levando Teerã a anunciar no fim de semana que havia voltado a fechar o Estreito de Ormuz, alegando que os EUA não cumpriram seu compromisso de interromper os combates no Líbano. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que liderou a delegação americana na primeira rodada de negociações com o Irã visando um acordo de paz definitivo, declarou nesta segunda que houve avanços no sentido de encerrar as hostilidades no Líbano e que o estreito estava aberto. Ele afirmou que a situação no Líbano ainda está em desenvolvimento. Hassan Wazni, diretor de um hospital em Nabatieh — cidade do sul do país fortemente bombardeada durante o conflito — disse que há calma desde a noite de sábado. “Estou monitorando a situação dia após dia e, na maior parte do tempo, durmo no hospital. Este é o período mais longo em que um cessar-fogo foi mantido”, afirmou Wazni à Reuters por telefone. Medo persistente Mas as pessoas estão hesitantes em retornar, acrescentou, observando que um cessar-fogo declarado na sexta desmoronou rapidamente, com 20 pessoas mortas no Líbano por ataques israelenses no sábado, segundo a Defesa Civil libanesa. “As pessoas ainda estão apreensivas”, disse Wazni. O conselho municipal da aldeia de Zawtar El Charqiyeh, em comunicado divulgado nas redes sociais, alertou os moradores a não retornarem até que seja seguro fazê-lo. As forças israelenses continuam posicionadas profundamente no sul do Líbano, ocupando uma zona de segurança autodeclarada, onde têm demolido aldeias, alegando que o Hezbollah se instalou em áreas civis. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou nesta segunda que as tropas têm total liberdade de ação para impedir qualquer ameaça direta ou emergente do Hezbollah contra elas ou contra cidadãos israelenses, e permanecerão no Líbano “pelo tempo que for necessário”. Ainda assim, o Exército israelense suspendeu restrições de segurança em oito comunidades próximas à fronteira libanesa a partir das 0h de Brasília desta segunda. "O cessar-fogo é frágil porque, antes de tudo, estamos lidando com uma organização terrorista", afirmou Miry Menashe, de 41 anos, moradora da comunidade israelense de Metula, localizada diretamente na fronteira com o Líbano. “Não estamos lidando com o Estado libanês propriamente dito. Portanto, para ser sincera, não confio neles. Com cessar-fogo ou sem cessar-fogo, continuamos muito alertas e preparados para qualquer eventualidade”, disse ela. Vance discute cessar-fogo Um comunicado conjunto emitido ao final das negociações entre EUA e Irã, mediadas pelo Paquistão e pelo Catar na Suíça, informou que as partes concordaram em criar “uma célula de desescalada” para garantir o cumprimento do fim das hostilidades no Líbano. Israel ainda não comentou oficialmente o assunto. Por insistência do Irã, um acordo provisório assinado na semana passada com os EUA exige que Washington, Teerã e seus aliados declarem o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. Israel e o Hezbollah concordaram com um cessar-fogo na tarde de sexta, mas os confrontos voltaram a se intensificar no sábado, levando o Irã a anunciar novamente o fechamento do Estreito de Ormuz. Autoridades americanas contestaram a afirmação de que o estreito estivesse fechado, mas dados comerciais de navegação disponíveis publicamente mostraram impacto imediato. Na noite de sábado, uma autoridade militar israelense afirmou que as Forças Armadas do país haviam recebido novas diretrizes da liderança política para cessar os disparos. Segundo a autoridade, os militares israelenses estavam atuando “de maneira defensiva dentro da zona de segurança”. O presidente libanês, Joseph Aoun, discutiu os esforços para manter o cessar-fogo e interromper a escalada militar israelense durante um telefonema com Vance, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, e o enviado da Casa Branca Jared Kushner, informou a presidência libanesa. Desde que o Hezbollah iniciou ataques em apoio ao Irã, em 2 de março, ofensivas israelenses no Líbano mataram 4.106 pessoas, incluindo 773 mulheres, crianças e profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde libanês. O balanço não especifica quantos combatentes estão entre os mortos. Os ataques israelenses também forçaram cerca de 1,2 milhão de pessoas a deixarem suas casas no Líbano, de acordo com autoridades libanesas. As mortes em Israel decorrentes desta rodada de hostilidades com o Hezbollah incluem pelo menos 32 soldados e quatro civis israelenses.
Cessar-fogo no Líbano é respeitado, mas persistem temores de colapso
Autoridade libanesa diz que praticamente não houve ataques desde o fim da tarde de sábado














