Em nota ao GLOBO, Ministério Público do Pará informou que passagem foi remarcada para 15 de agosto; imigrante ainda precisa apresentar visto, comprovantes de renda e hospedagem e carteira de vacinação contra febre amarela 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher de Serra Leoa vive há seis meses em aeroporto de Belém — Foto: Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 12:00 Serra-leonesa aguarda há seis meses em aeroporto de Belém por viagem ao Panamá Fatmata Sessay, de Serra Leoa, vive há seis meses no Aeroporto de Belém aguardando viagem ao Panamá para reencontrar seu filho. A viagem, inicialmente marcada para junho, foi adiada para 15 de agosto por falta de documentos, como visto e carteira de vacinação. O Ministério Público do Pará acompanha o caso e busca regularizar sua situação. Fatmata recusa acolhimento institucional, preferindo permanecer no aeroporto. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A viagem de Fatmata Sessay, cidadã de Serra Leoa que vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém, foi adiada mais uma vez. A imigrante de 56 anos, que aguardava embarcar para o Panamá para tentar reencontrar o filho de 15 anos, agora tem nova previsão de viagem para 15 de agosto. O adiamento ocorreu porque ela ainda não possui toda a documentação exigida para ingressar no país de destino. Em nota enviada ao GLOBO, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) informou que a passagem precisou ser remarcada devido à falta da carteira internacional de vacinação contra a febre amarela, visto, comprovante de renda e comprovante de local de hospedagem. O órgão afirmou ainda que acompanha o caso desde que tomou conhecimento da situação e atua para garantir os direitos da imigrante junto a outras instituições públicas. Segundo o MPPA, Fatmata permanece no aeroporto por decisão própria. Equipes de abordagem social tentaram convencê-la a aceitar acolhimento institucional, mas ela recusou as alternativas oferecidas. O órgão informou ainda que chegou a disponibilizar hospedagem em hotel, mas a proposta não foi aceita. O que levou ao adiamento A remarcação da viagem ocorre poucos dias após a divulgação de que Fatmata embarcaria em 22 de junho. Na ocasião, uma passagem havia sido providenciada pelo Ministério Público do Pará, e a imigrante chegou a se emocionar ao receber a notícia. — Ninguém me ajudou aqui. Só você que comprou a minha passagem. Muito obrigada. Se Deus quiser, vou encontrar meu filho e recomeçar a vida — disse ao promotor responsável pelo caso. No dia seguinte ao anúncio da viagem, porém, o Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para impedir que ela embarcasse sem a documentação necessária. Segundo o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Sadi Flores Machado, o problema nunca esteve relacionado à permanência de Fatmata no Brasil, mas às exigências para entrada na Colômbia e no Panamá. — Ela não tem pendência nenhuma para sair do Brasil. A saída dela não é o problema. A questão é a entrada nesses países. Seria temerário enviá-la sem os vistos porque ela corre o risco de ser deportada ou até presa — afirmou ao GLOBO. De acordo com o procurador, há informações de que a imigrante já teria sido deportada anteriormente da Colômbia ao tentar ingressar no país sem a documentação exigida. Por isso, o MPF pediu que a Justiça determinasse assistência consular e apoio das autoridades brasileiras para regularizar sua situação antes de uma nova tentativa de viagem. — O que pedimos foi a regularização documental da viagem para que ela não corra o risco de ser deportada ou presa. Tudo indica que ela sequer tinha ciência da necessidade desses vistos — disse. Seis meses no aeroporto A trajetória de Fatmata até o aeroporto de Belém foi marcada por sucessivos obstáculos. Ela afirma ter deixado São Paulo, onde morava havia 18 anos, no fim do ano passado para procurar o filho. Durante a viagem, relata ter sido assaltada no Peru e recebido ajuda de voluntários para seguir até o Suriname, de onde embarcou para a capital paraense. — Fui roubada e as pessoas me ajudaram. Cheguei ao Suriname e compraram uma passagem para Belém dizendo que seria mais fácil conseguir a passagem para o Panamá daqui — contou. Já em Belém, ela afirma ter sido novamente vítima de roubo e perdido o passaporte e uma passagem que havia conseguido para seguir viagem. Sem dinheiro e sem documentos, passou a viver no aeroporto, onde permanece desde então. — Eu durmo aqui no chão mesmo. Durante o dia eu vou no Centro Pop para comer e tomar banho — relatou. Apesar das ofertas de acolhimento, Fatmata afirma se sentir mais segura no terminal. — Não quis ir para nenhum lugar porque quando saio tem gente e carros em cima de mim. Aqui me sinto segura. Críticas ao atendimento Após pedido do MPF, a Justiça Federal determinou que o Governo do Pará e o Ministério das Relações Exteriores prestassem assistência consular à cidadã de Serra Leoa para viabilizar a obtenção da documentação necessária. Para Machado, o caso também evidencia falhas no atendimento prestado a migrantes em Belém. O procurador afirma que uma decisão judicial anterior, tomada antes da COP30, determinou que União, Estado e município estruturassem um plano integrado de acolhimento humanizado para migrantes, incluindo um posto avançado de atendimento no aeroporto. — Foi instalada uma estrutura de atendimento, mas uma situação como a de Fatmata demonstra que esse plano não está operando da forma como deveria. É inadmissível que uma migrante permaneça durante tantos meses nessa condição sem uma solução efetiva — afirmou. Enquanto aguarda a emissão dos documentos pendentes, Fatmata seguirá vivendo no Aeroporto Internacional de Belém, onde espera, após meses de incerteza, conseguir retomar a viagem em busca do reencontro com o filho.
Mulher de Serra Leoa que mora em aeroporto de Belém há seis meses tem viagem remarcada para agosto por falta de documentos
Em nota ao GLOBO, Ministério Público do Pará informou que passagem foi remarcada para 15 de agosto; imigrante ainda precisa apresentar visto, comprovantes de renda e hospedagem e carteira de vacinação contra febre amarela







