0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), em foto de 2013 — Foto: Scott Eells/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 08:40 Morre Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, aos 100 anos Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, faleceu aos 100 anos, vítima de complicações do Parkinson. Liderou o banco central dos EUA de 1987 a 2006, período de notável crescimento econômico. Apesar de inicialmente celebrado, sua reputação foi abalada pela crise financeira de 2008, atribuída em parte à sua gestão. Greenspan reconheceu falhas em sua abordagem de livre mercado após o colapso financeiro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Alan Greenspan, ex-presidente do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, morreu nesta segunda-feira. aos 100 anos. Ele faleceu em sua casa, informou a NBC News, citando sua esposa, Andrea Mitchell, principal correspondente da emissora em Washington e correspondente-chefe de assuntos internacionais. A causa da morte foram complicações decorrentes da doença de Parkinson. Os 18 anos de Alan Greenspan à frente Fed, de 1987 até sua aposentadoria no início de 2006, foram marcados por um boom do mercado de ações e baixos níveis de desemprego. Greenspan era visto como o maestro que mantinha a economia funcionando em plena harmonia. Sua reputação foi posteriormente abalada, no entanto, pela crise financeira que eclodiu em 2008 e cujas sementes muitos dizem que foram lançadas na sua gestão. Greenspan “esteve entre os primeiros a reconhecer o impacto da tecnologia no aumento da produtividade dos Estados Unidos, permitindo que a economia crescesse mais rapidamente do que imaginávamos sem gerar inflação”, lembra Roger Ferguson, que foi vice-presidente do Fed de 1999 a 2006. Usando seus característicos óculos, o presidente do Fed tornou-se um ícone das finanças globais graças a discursos televisionados e depoimentos ao Congresso que frequentemente movimentavam os mercados. Em um discurso de 1996, Greenspan lançou uma pergunta retórica: “Como sabemos quando uma exuberância irracional elevou excessivamente o valor dos ativos, tornando-os suscetíveis a contrações inesperadas e prolongadas, como ocorreu no Japão na última década?” Os investidores se fixaram na expressão “exuberância irracional”, provocando uma breve queda das ações antes que elas voltassem a subir ainda mais. Alguns anos depois, quando as ações de empresas de internet despencaram, a expressão passou a fazer parte do vocabulário popular. Os investidores passaram a acreditar que Greenspan utilizaria as ferramentas à sua disposição, incluindo as taxas de juros, para sustentar o mercado acionário durante períodos de forte queda. Essa ideia — conhecida como Greenspan put, em referência a uma estratégia financeira usada para limitar perdas — foi acusada de criar um risco moral, ao fazer com que comportamentos arriscados parecessem mais seguros do que realmente eram. O mandato de Greenspan foi o segundo mais longo da história do Fed, atrás apenas do de William McChesney Martin Jr. Seu período à frente da instituição coincidiu com a fase mais estável de crescimento econômico desde a criação do banco central, em 1913: uma expansão de dez anos entre o fim da recessão de março de 1991 e o início da recessão de março de 2001. (A expansão de 2009 a 2020 posteriormente superaria esse recorde.) Nesse intervalo, o índice S&P 500 quase quadruplicou, enquanto a economia americana cresceu, em média, 3,5% ao ano. A taxa de desemprego ficou em média em 5,5% e atingiu 3,8% em abril de 2000, o menor nível desde 1969. Mas pressões financeiras estavam se acumulando nos últimos anos de seu mandato. Alguns compradores de imóveis receberam aprovação para hipotecas de alto risco (subprime) que não tinham condições de pagar. Outros contraíram empréstimos utilizando o valor de seus imóveis como garantia. Bancos de investimento transformaram esses financiamentos em títulos financeiros, enquanto empresas vendiam proteção contra inadimplência dessas dívidas. O sistema continuou funcionando enquanto os preços dos imóveis continuavam subindo — até que essa fonte de sustentação se esgotou. Transcrições de reuniões de política monetária do Fed em 2005 mostraram que funcionários e dirigentes da instituição já haviam identificado uma bolha imobiliária. Greenspan avaliava que “qualquer excesso existente no mercado imobiliário estava sendo contido naquele momento, principalmente porque as taxas das hipotecas haviam subido e começavam a produzir efeito”. Em meados de 2007, o crédito entre os bancos praticamente congelou, desencadeando uma série de eventos que culminariam na falência do banco de investimentos Lehman Brothers em setembro de 2008. A crise levou o Fed e o sucessor de Greenspan na presidência, Ben Bernanke, a enfrentar desafios sem precedentes. Durante muito tempo celebrado por sua condução da economia, Greenspan passou então a se defender de críticas segundo as quais sua postura pouco intervencionista em relação aos mercados financeiros e às bolhas especulativas — especialmente a bolha imobiliária que crescia quando deixou o cargo — havia criado as bases para a pior crise econômica desde a Grande Depressão. Ao promover o aumento da produtividade como sinal de uma chamada “nova economia”, Greenspan “ajudou e incentivou a maior bolha do mercado acionário da história deste país”, afirmou em 2010 Paul Kasriel, ex-funcionário do Fed e então integrante da Northern Trust. Greenspan havia se oposto ao aumento da regulamentação governamental sobre o setor financeiro durante seu mandato. Após o quase colapso do sistema financeiro, declarou em discursos e depoimentos ao Congresso que os reguladores haviam “falhado” e que o “tsunami de crédito que ocorre uma vez por século” mostrava que sua ideologia de livre mercado talvez tivesse falhas. “Aqueles de nós que confiamos no interesse próprio das instituições financeiras para proteger o patrimônio dos acionistas, eu inclusive, estamos em estado de incredulidade e choque”, disse aos parlamentares em 2008. Em depoimento à Comissão de Investigação da Crise Financeira, criada pelo Congresso, Greenspan afirmou: “Estive certo em 70% das vezes, mas estive errado em 30% das vezes.” Matéria em atualização