"Frangos frescos, frangos grandes, frangos de Santa Cruz", repetia sem parar um autofalante colocado, de forma improvisada, no teto de uma van prateada estacionada ao lado da praça San Miguel, na zona sul de La Paz. Dentro do veículo, uma mulher, sentada, recebia o pagamento de pessoas que formavam uma pequena fila, enquanto outra entregava um superfaturado produto aos clientes.
Naquela sexta-feira ensolarada, a Bolívia entrava no seu segundo mês de protestos que pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, no cargo há pouco mais de sete meses. Por conta dos bloqueios nas estradas do país, La Paz, a sede do governo, vive uma crise de desabastecimento, que elevou substancialmente o preço de alimentos e produtos básicos.
Um frango inteiro, antes vendido por 50 bolivianos, custava, no "açougue móvel", 110 bolivianos (o equivalente a cerca R$ 80, pelo câmbio oficial). Dentro do veículo, um amontoado de caixas de isopor brancas estavam empilhadas nos bancos dos passageiros.
Do lado de fora, uma pequena montanha de embalagens vazias se acumulava na calçada —vestígios das vendas feitas nas últimas horas. "Nós temos um custo muito maior de transporte, por isso vendemos a esse preço", afirma a comerciante, que preferiu não dizer o nome.











