Graciela Cancari, uma mulher indígena aimará, caminhou durante duas horas na manhã de terça-feira (2) de sua casa em El Alto até chegar a sua barraca de frutas. Devido à falta de transporte público, ela empurrava um carrinho carregado não só com produtos, mas também com sua filha, que tem uma deficiência e não pode ficar sozinha.
El Alto e o município vizinho de La Paz estão entre as áreas mais afetadas pelos protestos que ocorrem na Bolívia há 35 dias, impedindo a passagem de alimentos, medicamentos e combustível.
"A situação está muito ruim; estamos preocupados. Outros nem têm dinheiro suficiente para comprar nada; está muito caro", diz a vendedora, que comercializa seus produtos nos mercados de El Alto.
Desde 1º de maio, a Central Operária Boliviana e a Federação Camponesa Tupac Katari —alinhadas ao ex-presidente Evo Morales— mantêm uma greve nacional com bloqueios de estradas em sete dos nove departamentos do país. Elas exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
Há pelo menos 90 pontos de bloqueio de estradas impedindo o livre trânsito e provocando uma escassez progressiva de itens básicos de alimentação. Essa escassez levou a aumentos de preços que tornaram muitos alimentos inacessíveis para setores da população.












