Depois de assistir à maior abertura de capital da história, com a SpaceX, de Elon Musk, que hoje tem valor de mercado de quase US$ 2,5 trilhões, o investidor brasileiro volta a sonhar com a próxima "janela de IPOs", quando empresas encontram condições favoráveis para buscar dinheiro no mercado. Com a Selic projetada em 12% ao fim de 2027, essa oportunidade parece ainda distante.

Assim como a seca de IPOs tem sido dolorosa, é bom lembrar que a inundação não ajuda. Uma movimentação recente no mercado brasileiro mostra como o otimismo da última janela transformou o sonho de traders no pesadelo de investidores.

O caso é o do TC, antigo Traders Club. A empresa chegou à Bolsa em julho de 2021 avaliada em R$ 2,7 bilhões. A oferta movimentou R$ 606,9 milhões, dos quais R$ 527,8 milhões entraram no caixa da companhia. Desde então, o TC mudou seu modelo de negócios sucessivas vezes e consumiu quase todo o caixa. Hoje, vale cerca de R$ 50 milhões no mercado. E aqui vou falar apenas do negócio em si, ignorando polêmicas e pessoas envolvidas.

No balanço de 2021, o primeiro após o IPO, o TC se definia como uma "legítima companhia SaaS", que vendia assinaturas de sua plataforma de informações e serviços. Na época, 98,2% delas estariam vinculadas a planos anuais com renovação automática. A empresa foi às compras, triplicou sua equipe e adquiriu negócios para ampliar seu alcance. Terminou o ano com R$ 318,4 milhões em caixa.