Apenas outros três países também possuem hinos apenas com música instrumental Seleção de futebol da Espanha em jogo de 2025 — Foto: Reuters A Espanha, que joga neste domingo (21) contra a Arábia Saudita, é um dos poucos países do mundo que não possuem letra acompanhando o instrumental do seu hino nacional. Ao longo das décadas, diversas tentativas foram feitas para mudar isso, mas nenhuma teve sucesso. Bósnia e Herzegovina, que participará na Copa do Mundo 2026, Kosovo e São Marino, que não se classificaram para o mundial, também não possuem uma letra para acompanhar seus hinos nacionais. Por que o hino espanhol não tem letra? “O fato de o hino ter sido originalmente uma marcha militar explica a ausência de letra”, diz o Ministérios de Assuntos Exteriores da Espanha em uma a apresentação para o curso de protocolo, para novos diplomatas e funcionários do Serviço Exterior espanhol. O hino espanhol é conhecido como “marcha real” ou “marcha Granadera” e ela aparece pela primeira vez em documentos em 1761, como uma música instrumental usada para acompanhar desfiles e eventos militares. Outro ponto a ser destacado é que a Espanha é um país marcado pela diversidade cultural e linguística de suas comunidades autônomas. Além do espanhol, o país também reconhece como línguas oficiais o catalão, o valenciano, o galego, o basco e o aranês. Para o historiador e jurista espanhol Benigno Pendás, a consolidação da democracia após a ditadura franquista não se deu pela integração nacional, mas sim pela rejeição ao autoritarismo. Dessa forma, o Estados espanhol evitou símbolos universais para não apagar as identidades regionais das comunidades autônomas e manter um equilíbrio social que sustentasse um “consenso precário” para a democracia. Ao longo dos anos, houve várias tentativas de se criar uma letra para o hino espanhol, mas nenhuma teve sucesso. Um caso emblemático foi em 2008, quando uma possível letra criada pelo Comitê Olímpico Espanhol (COE) vazou para a imprensa. “A letra provocou rejeição e controvérsia em grande parte da sociedade e da classe política. O COE, no entanto, decidiu cancelar a apresentação oficial e retirar a proposta devido à "’controvérsia e rejeição geradas’", descreve a apresentações do curso de protocolo do Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha. História do hino Acredita-se que a marcha foi composta por Manuel de Espinosa, músico da Casa Real, na década de 60 do século XVIII, segundo documentos de uma conferência chamada a “história musical da Marcha Real”, realizada no Museu Militar de Cartagena e promovida pela prefeitura de Cartagena em 2017 A música era frequentemente tocada pela Infantaria e Guarda Real, o que levou à população a associar o tema à monarquia e, consequentemente, à identidade nacional. A versão atual do hino foi harmonizada em 1908 pelo maestro Bartolomé Pérez Casas, segundo o Decreto Real 1543/1997. Uma versão revisada e como nova orquestração foi realizada pelo Maestro Francisco Grau Vergara, diretor da Banda Real do Palácio, em 1998. Ao longo dos séculos, a música chegou a ser substituída como símbolo nacional por outros temas, como durante o Triênio Liberal, entre 1820 e 1823, e a Segunda República, entre 1931 e 1939, quando o "Hino de Riego" foi adotado. Porém, em 1942, o ditador Francisco Franco voltou a exigir que a Marcha Real fosse tocada em eventos oficiais, como uma forma de “apagar” os emblemas de antigo República.
Por que o hino da Espanha não tem letra há três séculos?
Apenas outros três países também possuem hinos apenas com música instrumental












