Seleção mais dominante com a bola nos últimos 20 anos, espanhóis contam com joia do Barcelona contra a Arábia Saudita para mostrar que podem destravar defesas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lamine Yamal (ao centro) em ação no treino da Espanha: atacante é esperança de uma seleção mais incisiva contra a Arábia Saudita, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo — Foto: Florencia Tan Jun/Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 20:19 Espanha Busca Superar Dificuldades Ofensivas na Copa 2026 com Jovens Talentos A seleção espanhola enfrenta dificuldades em converter sua tradicional posse de bola em resultados contundentes nas Copas do Mundo. A equipe, famosa pelo "tiki-taka", busca afiar seu ataque com jovens talentos como Lamine Yamal, do Barcelona. Apesar de dominarem a posse, os espanhóis enfrentam desafios em jogos decisivos, como visto na estreia da Copa de 2026 contra Cabo Verde, onde empataram sem gols. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO “Times de alta performance geralmente perdem para equipes piores por não perceberem” que precisam ser “suficientemente imprevisíveis”, argumentou o espanhol Rafel Pol em artigo científico publicado há seis anos. A tese de Pol – que foi auxiliar técnico da Espanha em 2022 – parece assombrar a seleção espanhola na Copa do Mundo: dominante em posse de bola como nenhuma outra grande equipe nas últimas décadas, a “Fúria” terá contra a Arábia Saudita, neste domingo, às 13h (de Brasília), mais uma chance de desfazer a incômoda sensação de um ataque pouco contundente em Mundiais. Numa ironia do destino, Pol era o fiel escudeiro do técnico Luis Enrique na seleção em 2022, quando sucumbiu na Copa do Catar após um marasmo ofensivo contra Marrocos, nas oitavas de final. A estreia do Mundial de 2026, agora sob o comando de Luis de la Fuente, foi do mesmo jeito: empate sem gols, desta vez com a zebra Cabo Verde. Desde a Copa de 2006, ganhando ou perdendo, a Espanha terminou todos os seus jogos em Mundiais com mais posse de bola, segundo as estatísticas da Fifa -- retrospecto que nenhuma das favoritas em 2026, nem mesmo o Brasil, ostenta nesse período. Os espanhóis não são superados em posse desde a queda para a Coreia do Sul em 2002. Essa dominância atingiu seu ápice com o título inédito em 2010, que coroou o “tiki-taka” implementado por Luis Aragonés e aperfeiçoado por Vicente del Bosque na seleção. No entanto, já na geração de Xavi e Iniesta, os placares magros sugeriam dificuldade para transformar tanto toque de bola em eficiência ofensiva. O quadro se agravou nos últimos três Mundiais (2014, 2018 e 2022): neles, a Espanha fez 21 gols em 11 jogos, mas a estatística mascara o fato de que na maioria (sete) dessas partidas os espanhóis fizeram apenas um ou nenhum gol. Na estreia da Copa de 2026, os 66% de posse espanhola tampouco viraram bola na rede. Para o jornalista Leonardo Miranda, responsável pelo blog “Painel Tático” no ge, a Espanha vem tentando tornar seu tiki-taka mais veloz nos últimos anos, em paralelo aos sucessivos fracassos em Copas. Ele afirma, porém, que houve uma aparente “involução” no início deste Mundial: – A Espanha segue construindo os jogos a partir da posse, empurrando o adversário para trás e tentando criar superioridades por meio da circulação da bola – avalia Miranda. – Só penso que o trabalho de De la Fuente tem menos mobilidade que o de Luis Enrique. Por isso que vimos o velho defeito de sempre (contra Cabo Verde): todo mundo na frente e sem criar espaço. É verdade que, contra Cabo Verde, a Espanha teve por poucos minutos Lamine Yamal, apontado por De la Fuente e pelos próprios colegas de seleção como o tal “fator de imprevisibilidade” que pode decidir jogos. A expectativa é de que o jovem atacante do Barcelona, que estreia em Copas aos 18 anos, seja titular pela primeira vez contra a Arábia Saudita. – (Yamal) É um jogador especial, que tem um perfil distinto dos que estavam em campo. Esse desequilíbrio que ele gera faz com que os outros jogadores tenham mais tempo e espaço em outras partes do campo – disse o meia Mikel Merino em entrevista coletiva após o empate com Cabo Verde. Espasmos goleadores O retrospecto da Espanha em Copas desde o título de 2010 tem espasmos goleadores, como o atropelo de 7 a 0 contra a Costa Rica na estreia de 2022 ou o eletrizante empate de 3 a 3 com Portugal em 2018. Na Copa de 2014, defendendo o título mundial, a “Fúria” só desabrochou na última rodada da fase de grupos, quando – já eliminada – fez 3 a 0 na lanterninha Austrália. Mas esses resultados foram exceção, não regra, para a Espanha nas últimas Copas. Em 2022, a seleção de Luis Enrique chegou ao cúmulo, ao perder de 2 a 1 para o Japão, de se tornar a equipe derrotada com maior posse de bola (82%) na história dos Mundiais. No jogo seguinte, contra Marrocos, nas oitavas de final, o roteiro se repetiu: a Espanha deu o triplo de passes (1 mil a 323), mas o tiki-taka só gerou uma finalização certa e nenhum gol. Nos pênaltis, como se para comprovar a dificuldade em balançar a rede, os espanhóis erraram todas as três cobranças que tentaram, e a classificação ficou com os marroquinos. Segundo o jornalista Leonardo Miranda, aquela seleção de Luis Enrique tentava furar retrancas apostando na mobilidade de jogadores como Dani Olmo, uma espécie de segundo atacante que busca espaços entre as linhas de marcação adversária -- e que tem chance de ser titular contra os sauditas. Já a atual equipe de Luis de la Fuente depende dos pontas Yamal e Nico Williams, outro que chegou à Copa com problemas físicos e atuou pouco na estreia. – A seleção depende desses dois, e não só pelo drible, mas também para levar a bola para dentro da área, fazer aquele cruzamento rasteiro, tentar finalizar. Eles são os dois grandes criadores de jogadores, e isso faltou contra Cabo Verde – diz Miranda.