Estrategistas da campanha sinalizam a retomada de slogans para amenizar o potencial de confusão devido ao número diferente de seu candidato à Presidência 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante a manifestação pelo impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes na Avenida Paulista durante o feriado de 7 de setembro — Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 20:43 Tarcísio de Freitas enfrenta desafio de urna e aposta em apoio estratégico em SP Tarcísio de Freitas enfrenta novamente o desafio do número de urna diferente do candidato presidencial que apoia, buscando mitigar confusão eleitoral com slogans. Em São Paulo, sua campanha aposta na transferência de apoio para fortalecer a legenda e conquistar mais cadeiras na Alesp e Câmara. A estratégia também envolve figuras como Sikêra Júnior e a ampliação da presença de prefeitos do Republicanos no estado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vai encarar novamente este ano a situação adversa de ter um número de urna diferente do candidato apoiado por ele à Presidência. Estrategistas da campanha sinalizam a retomada de slogans para amenizar o potencial de confusão, enquanto aliados mais otimistas confiam na transferência de apoio à legenda para consolidar cadeiras na Assembleia Legislativa (Alesp) e na Câmara dos Deputados, avançando inclusive sobre o PL. A perda de votos “por engano” pode ter papel decisivo este ano ao influenciar as chances de o pleito ser resolvido já no primeiro turno, possibilidade expressa nas pesquisas de momento. Aliados costumam lembrar que Tarcísio deixou de receber cerca de 500 mil votos na primeira fase da eleição passada, quando tinha como credencial política apenas a passagem como ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro. Esses votos foram dados ao “22”, do PL, na hora de escolher o candidato ao governo paulista, o que levou à anulação, enquanto Tarcísio, o candidato de Bolsonaro, precisava do voto no “10”, do Republicanos. Música chiclete Como estratégia, o jingle “Tarcísio é 10 e com ele eu vou” foi repetido à exaustão no pleito anterior para complementar músicas chiclete bolsonaristas — o “vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro” foi cantado até por Neymar Jr. nas redes sociais, num esforço para superar o antigo “17”, do PSL, pelo qual concorreu em 2018. A campanha do governador vai precisar desviar do problema mais uma vez, agora com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escalado para o enfrentamento com o presidente Lula, e um dos principais cabos eleitorais do governador já endereçou o problema: — O Tarcísio é 10 ou não é? — perguntou o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), na semana passada, a funcionários de uma unidade básica de saúde na Zona Sul, que foi reformada e contou com a presença do governador no evento de reinauguração. Na ocasião, Nunes também demonstrou preocupação com as regras eleitorais: — Sei que tem muito jornalista aqui e vocês viram que eu não fiz pedido de votos. Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, até pressionou Tarcísio por uma migração de partido ao longo do mandato. A troca faria mais sentido caso ele fosse confirmado como candidato à Presidência, mas a hipótese acabou descartada depois de Bolsonaro ungir o filho como candidato. Alguns dos principais conselheiros políticos de Tarcísio estão no Republicanos, como o presidente estadual da sigla, Roberto Carneiro, atual secretário da Casa Civil. Da mesma forma, ao permanecer no partido, Tarcísio ajuda a afastar uma das mais tradicionais siglas do chamado Centrão, sob o comando do deputado federal paulista Marcos Pereira, de uma aliança eleitoral com o PT. Há uma avaliação recorrente nos bastidores que a sigla de Jair Bolsonaro entra na disputa enfraquecida em São Paulo, o que abre uma janela de oportunidade na direita. O voto bolsonarista que elegeu figuras do PL como Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Ricardo Salles, por exemplo, não tem um destino claro agora que o trio está fora — Eduardo inelegível e nos Estados Unidos, Zambelli na Itália e Salles tentando o Senado pelo Novo. O cenário levou o partido de Tarcísio a apostar no apresentador de TV Sikêra Júnior, conhecido por programas policiais na RedeTV! em que proferia discursos conservadores e que já foram enquadrados pela Justiça Federal como discriminatórios. Ele tem origem no Amazonas. O deputado estadual Tomé Abduch, um dos precursores do movimento “Nas Ruas”, de viés bolsonarista e ligado a Zambelli, também deve tentar uma cadeira em nível federal pelo Republicanos. Um articulador político avalia, sob reserva, que Flávio Bolsonaro não parece ter a mesma capacidade de consolidação de votos que o pai, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Ele também entende que Tarcísio “mais independente” do bolsonarismo, com uma campanha focada em entregas da gestão, ajuda a alavancar nomes próximos e não necessariamente vinculados à família do ex-presidente. Reforço a máquina O poder da máquina estatal aumenta a confiança de que Tarcísio pode não apenas superar mais facilmente essa divergência numérica nas urnas, como ampliar os votos na legenda. O ex-deputado estadual Danilo Campetti (Republicanos), que perdeu o mandato com o retorno da secretária de Esportes, Coronel Helena (PSD), à Alesp, faz uma aposta nesse sentido. Ele acertou com o partido em concorrer com um número que junta o “10” com o “22”. — O trabalho do Tarcísio está consolidado e reconhecido, e isso certamente vai repercutir nas urnas. A vinculação ao número fica mais fácil — diz. Integrantes do partido ressaltam que o Republicanos tinha no máximo 15 prefeitos antes da chegada de Tarcísio ao poder. Hoje esse número é de 93. Apesar da ligação histórica com a Igreja Universal, o Republicanos tem procurado reforçar as fileiras com nomes políticos, mantendo a perspectiva de eleger cerca de cinco candidatos oriundos do segmento evangélico. Um exemplo nesse sentido foi a deputada estadual Bruna Furlan, antes no PSDB. Ela é filha de Rubens Furlan, ex-prefeito de Barueri por quatro mandatos, e surge agora como virtual puxadora de votos do partido. O PL tem 21 deputados hoje na Alesp, contra nove do Republicanos. O partido de Tarcísio calcula que pode chegar a 15.