Existe um número recorde de pedidos para conectar grandes consumidores à rede de transmissão de eletricidade brasileira, o chamado grid, que transporta energia das usinas para os centros de consumo. A depender do lugar, a conexão deve ocorrer só depois de 2030, indicam dados públicos e relatos de empresas.
Nos pontos em que a demanda supera a capacidade de atendimento, as empresas terão de passar por um processo competitivo criado pelo governo federal em dezembro do ano passado. Quem oferecer o maior bônus financeiro por cada quilowatt (kW) de capacidade de conexão disponível receberá o direito de se conectar à rede. Como base de comparação, uma ducha elétrica tem potência instalada em torno de 5 kW, enquanto os projetos em discussão têm centenas de milhares de kW.
O sistema gera receio na indústria de base, que agora terá que competir diretamente com os data centers por espaço no grid, de acordo com a Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia). Essa associação reúne 59 grupos empresariais responsáveis por 40% do consumo de energia elétrica do país.
Segundo a entidade, não falta energia no país —o gargalo está na infraestrutura de transmissão em São Paulo e no Nordeste, principalmente nos arredores do porto de Pecém, próximo a Fortaleza.












