O Brasil perde anualmente cerca de 40 TWh de energia elétrica para furtos e fraudes —em 2024, foram desperdiçados 40,2 TWh. Em relatório recente, o Tribunal de Contas da União (TCU) destaca que esse volume é maior do que toda a geração anual da usina de Belo Monte.
Em um momento em que o país discute como atender ao crescimento da demanda dos data centers, eletrificar transportes e acelerar a transição energética, continuamos desperdiçando uma quantidade de energia equivalente a quase cinco vezes o consumo de todos os data centers brasileiros, estimado em 8,2 TWh. A dimensão do desperdício impressiona.O debate energético costuma concentrar-se na expansão da oferta. Mas talvez a pergunta mais urgente seja outra: estamos usando bem a energia que já produzimos?
A renovação das concessões de distribuição de energia elétrica oferece uma oportunidade rara para enfrentar essa questão. Quatorze contratos já foram renovados ou estão em processo de renovação com base no decreto 12.068/2024. Trata-se de uma das mais importantes reformas institucionais do setor na última década. E ela ocorre em um momento em que as redes elétricas passam a ocupar posição central na competitividade da economia.
O TCU chama atenção para um problema que há muito deixou de ser apenas uma questão operacional. As perdas não técnicas —o nome regulatório para furtos e fraudes de energia— representaram, em 2024, um prejuízo estimado em R$ 10,3 bilhões. Desse total, R$ 7,1 bilhões foram repassados às tarifas dos consumidores que pagam suas contas regularmente.














